sexta-feira, 5 de agosto de 2016

EM SEMINÁRIO PAGO PELO HOMEM MAIS RICO DO BRASIL, MINISTRO LUÍS BARROSO DEFENDE REDE GLOBO



Comentário do blog: em relação ao aborto O Cafezinho concorda com o ministro Barroso. A descriminalização do aborto — e até mesmo a legalização em todos os casos de gravidez — também é uma de nossas bandeiras.

Mas em relação as universidades o depoimento do ministro soa muito estranho, poucos dias após a Globo publicar um editorial defendendo o fim da gratuidade do ensino público.


O brasileiro não tem nenhum preconceito com a iniciativa privada, isso é papo furado da extrema direita desmiolada, que acredita piamente que PT quer instalar uma ditadura comunista no Brasil. Não sabemos de onde o ministro tirou isso e seu posicionamento parece mais preocupado em chancelar a Globo do que qualquer outra coisa.

Barroso defende novo modelo para ensino superior e descriminalização do aborto.

Ministro do STF também acredita que país precisa de uma reforma política e que população deve superar o preconceito que ainda existe contra a iniciativa privada no Zero Hora.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso defendeu, nesta segunda-feira, a criação de um novo modelo para o ensino superior no Brasil, além da descriminalização do aborto. As ideias foram defendidas durante evento da Fundação Estudar, criada pelo megainvestidor Jorge Paulo Lemann.

Segundo Barroso, a universidade pública no Brasil custa muito caro e não dá um retorno proporcional para a sociedade. Ele defendeu um modelo parecido com o que existe nos Estados Unidos, onde as universidades precisam se autofinanciar, incluindo com doações. O ministro disse que não se trata de uma "reforma universitária", que confrontaria o sistema atual, mas criar um modelo alternativo melhor.

— Precisamos de um modelo que seja público nos propósitos e privado no financiamento.

Já em relação ao aborto, ele afirmou que a criminalização é uma "péssima política de saúde pública".

— O aborto não deve ser estimulado, mas criminalizar é uma escolha absurda que viola a dignidade da mulher. Isso impede que mulheres pobres utilizem o serviço público, por isso elas se auto mutilam. Isso é mais um fator de discriminação da pobreza.

Ele afirmou que nenhum país desenvolvido do mundo, mesmo os mais religiosos, criminalizam o aborto.

— Essa é uma política pública atrasada e perversa. Criminalizar uma posição do outro é uma forma autoritária e intolerante de viver a vida 
— disse.

Reforma política

O ministro do STF também acredita que o país precisa de uma reforma política que diminua o número de partidos, além de baratear o custo das campanhas e dar maior legitimidade ao sistema representativo.

— No sistema brasileiro o eleitor não sabe quem elegeu para o Congresso e o parlamentar não sabe por quem foi eleito — comentou. — O Brasil vive uma multiplicação de partidos, que são apropriados privadamente, não têm autenticidade programática e vivem de acesso ao fundo partidário e venda do tempo de TV — acrescentou.

Segundo ele, há quase um consenso sobre a proibição de coligações nas eleições proporcionais e cláusulas de barreiras, enquanto ganha força uma solução intermediária, que é o sistema distrital misto, "o que é uma boa ideia".

— Se não mudarmos o sistema político, vamos continuar convivendo com os mesmos problemas — alertou.

Na avaliação de Barroso, parte da causa da corrupção no Brasil é a absoluta falta de risco de que aconteça qualquer coisa com quem procede incorretamente. Segundo ele, a sociedade está mudando, mas o momento ainda é de luta.

— O Poder Judiciário tem procurado atender a essa demanda, isso começou com o mensalão e passa pela Lava-Jato — afirmou.

O ministro disse ainda que o Brasil precisa superar o preconceito que ainda existe contra a iniciativa privada.

— O Brasil é o país do patrimonialismo e do oficialismo.

Ele explicou que o modelo de capitalismo estatal no Brasil criou desconfianças justificadas na sociedade, porque era feito com favorecimentos, fraudes em licitações, golpes no mercado financeiro e latifúndios improdutivos.

— É um modelo que não se vale das premissas do capitalismo verdadeiro, que são risco e concorrência. No Brasil nós temos financiamento público, reserva de mercado e socialização de risco, isso não é capitalismo, é socialismo para ricos — afirmou.

Para Barroso, é preciso melhorar a gestão pública, pois o Estado cresceu demais e hoje a sociedade não consegue mais sustentá-lo. 

Ele afirmou que o funcionalismo público já consome 4% do PIB e que só o governo federal tem 23,5 mil cargos em comissão, o que é um recorde absoluto no mundo. O segundo lugar, os Estados Unidos, tem 9 mil, enquanto países como França e Alemanha tem 500.

— Todos os governos estaduais estão quebrados, não arrecadam nem para pagar a folha, que dirá para investimentos — acrescentou.

Nesse momento, Barroso se mostrou desesperançoso e disse que talvez fosse melhor começar tudo de novo. Ele citou uma metáfora de uma novela exibida pela Rede Globo na década de 1960. Como o folhetim, de uma autora cubana, estava indo muito mal na audiência, Janete Clair foi chamada e, vendo que nada se salvava, criou um terremoto na trama que matou a maioria dos personagens.

— Pode ser alternativa (para o Brasil) — brincou Barroso


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