quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

LAVA JATO ADMITE QUE CORRUPÇÃO TUCANA PODE SER ABAFADA. VEJA QUAL É A JUSTIFICATIVA DELES

26 de janeiro 2017 

Jornal GGN – Investigadores da Operação Lava Jato admitiram que poderão ser abafados os indícios de corrupção do PSDB de São Paulo, em gestões municipais e estaduais, com contratos da Odebrecht e Camargo Corrêa. A informação é de um receio de o Ministério Público paulista (MP-SP) não aprofundar as suspeitas, originadas nas delações dos 77 executivos da empreiteira.

Conforme o GGN divulgou na última semana, os acordos da Odebrecht obrigaram uma devassa da Operação Lava Jato sobre os indícios de irregularidades e corrupção dos governos do PSDB e PMDB. Isso porque, após os depoimentos, os investigadores precisaram refazer a colaboração com a Camargo Corrêa, apontada em esquemas de obras em São Paulo, inicialmente investigadas na Castelo de Areia.


A conclusão seria de que tanto o PSDB quanto o PMDB fossem voltar à mira da Lava Jato, nos indícios de corrupção desde 1996, e destas cerca de 12 obras paulistas. Na Castelo de Areia, que investigou contratos da Camargo Corrêa, apenas o atual presidente Michel Temer foi citado 21 vezes em planilhas apreendidas em 2009. As suspeitas são de que seu envolvimento ocorreu enquanto era deputado pelo PMDB, entre 1996 e 1998, tendo recebido mais de 340 mil dólares.

Além de Temer, José Agripino Maia (DEM-RN), José Aníbal (PSBD) e Flexa Ribeiro (PSDB-PA) foram mencionados na Castelo de Areia, além do ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda. Mas, sobretudo, as provas apontam que irregularidades de contratos ocorreram durante a gestão Serra-Kassab (2005-2008) na Prefeitura de São Paulo e de Geraldo Alckmin no governo estadual (2001-2006), quando foi sucessor de Mário Covas (PSDB), também citado em planilhas.


Pagamentos de propinas nos contratos e obras do Rodoanel, no túnel da Avenida Jornalista Roberto Marinho e na expansão do metrô, além de suspeitas em contratos da Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa), de Campinas, foram alguns dos levantamentos da investigação invalidada pela Justiça em 2011 e que havia expectativas de ser retomada pela Lava Jato.

Os delatores da Odebrecht voltaram a incriminar tais contratos e suspeitas da Camargo Corrêa, pressionando os investigadores da Lava Jato a renegociarem os acordos dos executivos desta última empreiteira.

A análise estava, contudo, no risco de se um “aditamento”, acrescentando informações no acordo, poderia invalidar toda a colaboração da Camargo Corrêa até agora. Isso porque a Justiça poderia interpretar os casos como um ocultamento intencional dos executivos e anular os depoimentos da empresa.

Há uma saída viável para evitar uma anulação: criar novos acordos incluindo os já colaboradores, mas adicionando outros empresários e ex-funcionários novos para os relatos.
Entretanto, esta última opção parece estar sendo ignorada pelo Ministério Público Estadual, e sem mais explicações, o órgão vem de um histórico de arquivamentos de investigações que envolvem as obras do PSDB em São Paulo, conforme revelou reportagem do Valor.

O jornal lembrou de um inquérito civil, em outubro de 2015, sobre a Linha 15-Prata do monotrilho de São Paulo, que aparece em uma planilha apreendida com o doleiro Alberto Yousseff, e que sugere corrupção de outras 745 obras públicas em todo o país. O inquérito foi arquivado pela Promotoria do Patrimônio Público e Social de São Paulo. Com a repercussão negativa, o caso teve que ser reaberto, mas não houve avanços desde então.

Também em 2015, a Promotoria de São Paulo arquivou os supostos pagamentos de propinas na obra da Arena Corinthians, concluindo pela inexistência de “indicações de prejuízo ao patrimônio público”.

A reportagem destaca que em caso não relacionado à Lava Jato, mas à gestões paulistas, o MP-SP “ofereceu, até março de 2016, oito denúncias contra executivos de empresas e agentes públicos acusados de cartel e fraude em licitações no Metrô e em trens de São Paulo”. Novamente, casos paralisados.



O procurador-geral de Justiça de São Paulo, Gianpaolo Smanio, e o subprocurador-geral de Justiça para Políticas Criminas, Mario Luiz Sarrubo, negaram as falta de investigações. Pressionado, Smanio disse ao Valor que o MP-SP poderá “montar um grupo de promotores, se for necessário” específico para avançar nos desdobramentos das delações da Odebrecht.

Já Sarrubo afirmou que falta verba, estrutura e pessoal para dar sequência às investigações.







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