quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

MANIFESTAÇÕES DE CAMINHONEIROS COMEÇAM A SE ESPALHAR


A principal pauta de reivindicação dos caminhoneiros é o valor do frete que hoje gira entre R$ 40,00 e R$ 50,00 a tonelada...


O protesto dos caminhoneiros iniciado na sexta-feira (13) em Rondonópolis (MT) deve chegar hoje ao Sudoeste do Paraná com mobilizações da categoria em pontos específicos da BR-163, possivelmente sobre a ponte do Rio Iguaçu. Na noite de ontem uma reunião do Sinditac (Sindicato dos Transportadores Autônomos do Sudoeste), em Realeza, discutiu a adesão. 

Até o fechamento desta edição o encontro não havia sido encerrado, mas os caminhoneiros estavam dispostos a iniciar os protestos a partir das primeiras horas de hoje.

A principal pauta de reivindicação dos caminhoneiros é o valor do frete que hoje gira entre R$ 40,00 e R$ 50,00 a tonelada, o que para eles é inviável. Para o Sinditac, o preço deveria ser de R$ 80,00 a R$ 85,00 para que o caminhoneiro consiga pagar os custos de viagens e tenha lucro. Apesar do aumento do óleo diesel nas últimas semanas, o valor do combustível não é a principal pauta de reivindicação.

O caminhoneiro Idair Parizoto, ligado ao Sinditac, diz que os motoristas do Sudoeste já estão se organizando para interdição da BR-163. “É uma mobilização em apoio a manifestação que se iniciou lá em Rondonópolis e que vai se estender. Nós temos informação de que o Rio Grande do Sul está mobilizado em dois ou três pontos”, afirma. Segundo ele, desta vez os caminhoneiros não irão “afrouxar” e cair na conversa do governo sobre a lei que estabelece o preço mínimo do frete e que até agora não saiu do papel. Um projeto tramita em comissões da Câmara dos Deputados, mas ainda não há previsão de quando será aprovado em plenário.

O projeto de lei 528/2015 foi criado após as paralisações realizadas no primeiro semestre de 2015 quando o país praticamente parou após uma greve nacional deflagrada pela cateoria. O projeto tem como finalidade estabelecer uma tabela de preço mínimo para o frete que hoje, segundo os caminhoneiros, não cobre os custos de operação do setor de transporte de cargas.

A paralisação dos caminhoneiros logo no início da colheita inevitavelmente afeta o transporte da safra agrícola. A estimativa de consultores agrícolas é de que o Mato Grosso já colheu 4% de sua área de soja até quinta-feira, percentual que representa cerca de 1,2 milhão de toneladas, no maior volume já registrado para a colheita nesta época no Estado.

Nacional

O protesto iniciado no Mato Grosso está se espalhando pelo Brasil bem no momento do escoamento da supersafra brasileira, que deve bater um novo recorde de produção de grãos. Em Rondonópolis, o protesto chega hoje ao quinto dia e mais de mil caminhoneiros foram impedidos de seguir viagem. No domingo (15) houve um princípio de tumulto quando alguns motoristas tentaram furar o bloqueio cruzando pela cidade. Os bloqueios atingem apenas os veículos de carga, automóveis e ônibus continuam trafegando normalmente.

A região de Rondonópolis, no sudeste de Mato Grosso, é um importante polo logístico, abrigando um grande terminal ferroviário da Rumo Logística, que liga o Centro-Oeste ao Porto de Santos. Muitos caminhões chegam de diversas regiões do Estado para transbordar o produto no local. Os caminhoneiros mantinham até ontem quatro pontos de bloqueio na rodovia BR-364. A manifestação é organizada pelo Movimento dos Transportadores de Grãos (MTG). Inicialmente apenas os caminhões que transportavam grãos eram proibidos de trafegarem, mas depois os líderes da manifestação decidiram barrar a passagem de todos os tipos de carga.

Sindicam discorda

O Sindicam (Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos) diz que é preciso ser feito alguma coisa para melhorar as condições de trabalho da categoria, mas uma greve agora não seria a melhor opção. Jeová Pereira, do Sindicam em Cascavel, diz que uma paralisação agora seria “um tiro no pé” e afirma que a convocação para os protestos está sendo feita por empresários, que são donos de caminhões, mas não dependem unicamente da atividade. Segundo ele, muitos possuem outras empresas como postos de combustíveis, por exemplo.

Para o Sidicam, quem tem legitimidade para falar em nome da categoria e negociar com o governo é a Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA). “Marcaram essa reunião no Sudoeste, mas ninguém me comunicou nada. Volta e meia fazem isso e não resolve nada”, afirma. Segundo ele, é uma paralisação sem comando e sem uma pauta específica. “Há necessidade de fazer algo, mas vamos fazer alguma coisa bem pautada”, ressalta.










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