segunda-feira, 29 de maio de 2017

JBS: AÉCIO RECEBEU R$ 100 MILHÕES PARA CAMPANHA E COMPRA DE APOIO

       29 de maio de 2017             Foto: Orlando Brito/ ObritoNews


Jornal GGN - O senador tucano e candidato derrotado à Presidência em 2014, Aécio Neves, recebeu um caixa dois de R$ 60 milhões para a campanha exclusiva do parlamentar e mais R$ 40 milhões para a sua compra de apoio político, segundo delatores da JBS. 

Segundo narrou Joesley Batista, dono do frigorífico, os repasses foram feitos por meio de propinas enviados por executivos do grupo e por meio de notas fiscais frias de empresas indicadas pelos dirigentes partidários. Dessa forma, os envios foram registrados como doações oficiais ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), maquiando a origem ilícita.

Além da descrição dos ilícitos pela delação de Joesley, o executivo entregou documentos e comprovantes de pagamentos para os investigadores. Em uma planilha, por exemplo, a empresa esquematizou os repasses da campanha de 2014 do tucano:



Os R$ 40 milhões dedicados à "construção" da bancada de apoio dos demais partidos ao tucano foram distribuídos entre as siglas da coligação: PTB, Solidariedade, DEM, PTN, PSL, PTC, PSDC, PMN, PT do B, PEN. Todos foram citados nas delações. A operacionalização do repasse de propina foi feita pelo diretor de de Relações Institucionais da J&F, Ricardo Saud, que também prestou depoimento aos investigadores. 

O partido que mais teria recebido pelo apoio político foi o PTB. Em sua delação, Saud disse que foram pagos R$ 20 milhões à sigla de caixa dois, em dinheiro vivo e por meio de doações ofiiais aos diretórios da legenda.

"Isso tudo antes da eleição. Porque eles [dirigentes do PTB] falaram que só dariam apoio ao Aécio se pagassem antes da eleição. (...) Foram R$ 2 milhões entregues em espécie na casa do senhor Luiz Rondon, tesoureiro nacional do PTB. Além disso, alguns depósitos feitos por indicação do Luiz Rondon em algumas contas. Estão anotadas as três contas específicas", contou Saud à Lava Jato no STF.

Em seguida, o Solidariedade foi o segundo a receber a maior quantia para o apoio ao senador Aécio Neves no Planalto, com um total de R$ 11 milhões doados oficialmente ao diretório nacional e mais R$ 4 milhões por meio de notas fiscais frias indicadas pelo presidente da sigla, Paulinho da Força.

O DEM também recebeu R$ 2 milhões para apoiar Aécio. Inicialmente, o acordo era de R$ 10 milhões ao partido, mas após um conflito entre o tucano e o senador Agripino Maia, o financiamento chegou a ser cancelado, retomando depois com os R$ 2 milhões. Segundo o delator, Agripino ligava "dia sim, dia não" para cobrar a propina prometida pelo PSDB.

Outros partidos entraram para a conta do acordo entre a JBS e a campanha do senador Aécio Neves: R$ 150 mil ao PSL, R$ 650 mil ao PTC, R$ 50 mil ao PSDC, R$ 400 mil ao PTN, R$ 500 mil ao PEN, R$ 1 milhão ao PT do B, e R$ 1,3 milhão ao PMN, por meio de doações maquiadas oficialmente. E o PSC, que lançou candidatura independente, também entrou para o apoio do tucano, recebendo R$ 100 mil da JBS a pedido de Aécio Neves (PSDB-MG).

O tucano também recebeu diretamente valores para a campanha individual. Inicialmente, Aécio recebeu R$ 11 milhões nos primeiros acordos, o que aumentou para R$ 60 milhões até o final da disputa pela Presidência em 2014.

Em resposta, o senador tucano diz que "são falsas as declarações dadas por Joesley Batista e Ricardo Sau, que atuaram em seus depoimentos como verdadeiros atores na tentativa de construir uma narrativa que sustente a história criminosa que fabricaram para ganhar os benefícios da delação e sobre a qual não apresentaram provas concretas".

Os empresários da J&F entregaram aos investigadores da Operação Lava Jato no âmbito do Supremo Tribunal Federal documentos que corroboram as acusações dos depoimentos.


CARABINA 38

O sítio da família de Aécio Neves, em Cláudio, Minas Gerais, foi alvo de buscas e apreensões da Polícia Federal. Quando foram realizar a medida judicial no endereço, os investigadores encontraram uma arma carabina de calibre 38 no local. 

A apreensão gerou a Aécio outra investigação, além do próprio recebimento de propina da campanha de 2014: o delegado solicitou um inquérito para analisar o crime de posse irregular de uma arma de fogo.

"Após consulta aos sistemas informatizados verificou-se que existe uma arma de fogo com a mesma numeração, registrada em nome de Valdir Ovidio de Paula, residente no Estado de Goiás. Năo obstante, o registro da citada arma de fogo estaria há muito tempo vencido", diz relatório do delegado Daniel Fabio Fantini.

"A carabina não foi regularizada nos moldes preconizados pelo Estatuto do Desarmamento, com a emissão de certificado de registro por essa Polícia Federal", disse, ainda.


Luis Nassif










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