terça-feira, 21 de novembro de 2017

FUNARO E GEDDEL FRENTE A FRENTE EM AUDIÊNCIA NA JUSTIÇA FEDERAL DO DF

21 de novembro de 2017



Em depoimento à Justiça, operador conta como conheceu ex-ministro e detalha abordagem do político a sua mulher para evitar delação premiada

Identificado como operador financeiro do PMDB em esquema de recebimento de recursos ilícitos por empresários e pagamento a políticos, Lúcio Funaro prestou depoimento por pouco mais de uma hora, nesta terça-feira (21/11), ao juiz Alexandre Vidigal, da 10ª Vara Federal em Brasília. Nesta tarde, ele ficou frente a frente com o ex-aliado e ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), acusado de embaraçar investigações ao, supostamente, ameaçar a esposa de Funaro, Raquel Pitta, para impedir que o ex-aliado fechasse acordo de colaboração com o Ministério Público Federal (MPF).


O operador financeiro disse conhecer o ex-ministro desde o fim de 2011, quando o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), os teria apresentado. Segundo Funaro, toda comunicação entre ele e Geddel era feita por intermédio de Cunha. Depois, o operador começou a tratar diretamente com o ex-ministro.

Sobre o contato de sua esposa com Geddel, Funaro afirmou: “Pelo que ela me narrava ao me visitar, os dois passaram a ter contatos semanais. Da parte dele, ligando para ela, querendo saber como eu estava e se ela precisava de alguma coisa, como eu estava de cabeça e me sentia”. “Depois da prisão [de Geddel], que eu saiba, não tiveram nenhum contato pessoal mais”, acrescentou.
Segundo Funaro, Raquel Pitta teria começado a se incomodar com a frequência das ligações do ex-ministro, receosa de que fosse acusada de cometer algum crime.”Então eu disse: você não deixa de atender, porque, deixando, vai me criar um transtorno maior, porque ele vai pensar que eu estou fazendo delação”, detalhou.

O operador financeiro confirmou que a esposa teria tirado print das ligações de Geddel após um pedido seu. “Tinham finalidade de provar que o ministro Geddel Vieira Lima entrava em contato frequente com a minha esposa”, afirmou. Os documentos foram entregues ao advogado de defesa de Funaro na época em que o operador prestava depoimento na Polícia Federal.
Medo de retaliação
Por duas vezes, Funaro afirmou, durante o depoimento, ter receio do que “o primeiro escalão do governo” pudesse fazer como forma de retaliação a um possível acordo de colaboração premiada. E citou duas vezes que se sentiu ameaçado.
A primeira foi quando lhe foi imputada a entrega de R$ 4 milhões para José Yunnes. “Eu nunca entreguei. Na verdade, recebi dele R$ 1 milhão para entregar ao senhor Geddel”, disse. A segunda teria ocorrido ao fim de sua audiência judicial de custódia. Segundo Funaro, ele, a filha, a irmã e alguns agentes da PF estavam reunidos em uma sala reservada, após ele ter a liberdade negada, quando foi procurado pelo ex-advogado, com o qual havia se desentendido.
O profissional, cujo nome não foi revelado, teria dito “sabia que isso ia acontecer [o pedido de livramento ser negado]. Meu chefe já tinha me avisado.” Funaro não revelou o nome do advogado, mas acrescentou: “Aí eu falei pra ele dar um recado para o chefe dele e para o amigo do chefe dele, que era o [ministro da Casa Civil] Eliseu Padilha: que eu vou arrebentar com eles se encherem meu saco”.
O depoente ressaltou que esses fatos fizeram com que ele tivesse certo receio de sofrer represálias de nomes importantes do governo federal, caso viesse a delatar. No entanto, admitiu o operador, a prisão de sua irmã, Roberta Funaro, neste ano, pesou em sua decisão de fechar o acordo de colaboração com o Ministério Público Federal. “Foi uma série de fatos. Eu achava que minha situação jurídica era péssima e vinha piorando”, explicou.
A versão apresentada por Lúcio Funaro coincide com os depoimentos prestados, mais cedo, por Raquel Pitta e Roberta Funaro ao juiz da 10ª Vara Federal em Brasília. Geddel Vieira Lima acompanhou as três oitivas sem esboçar reação. A série de audiências ao juiz Alexandre Vidigal desta terça foi encerrada após as declarações do operador financeiro.

Fonte: Metrópoles,  por: JULIANA CAVALCANTE














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