terça-feira, 26 de dezembro de 2017

CARTA CAPITAL: TEMER SE VINGA DE ALCKMIN EM PROCESSO DE CARTEL?

26 DE DEZEMBRO DE 2017                              Alckmin com Temer. Fotos: Alan Santos/PR/Fotos Públicas



Reportagem de André Barrocal na revista Carta Capital aponta que o governador Geraldo Alckmin pode ser alvo de vingança de Michel Temer em procedimentos realizados pelo Cade recentemente. A entidade reabriu da investigação de empreiteiras de São Paulo.

Alckmin é o pré-candidato do PSDB e Temer estaria insatisfeito com a atuação dos tucanos nas votações de denúncias que envolveram a presidência.
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O peemedebista ficou furioso com os votos de deputados do PSDB para ele ser processado no Supremo Tribunal Federal (STF) por corrupção, formação de quadrilha e obstrução à Justiça. Guardou ira particular contra Alckmin, a quem nos bastidores identificava como principal culpado pelo fato de os tucanos paulistas terem desaguado votos a favor da investigação.
A primeira votação na Câmara ocorreu em 2 de agosto. Temer escapou por 263 votos a 227. No PSDB, houve 22 a favor dele e 21 contra. A maioria dos 21 saiu da bancada paulista.
Naquele dia, um deputado do PSDB de Minas, grupo mais afinado com o presidente, comentava com a reportagem: o placar tucano seria visto pelo Palácio do Planalto e o “Centrão” como obra de Alckmin. O governador, continuava o mineiro, corria risco de ser isolado politicamente por Temer, talvez o PSDB inteiro.
Na época, o prefeito paulistano, João Doria Jr, do PSDB, ainda estava no páreo no tucanato para ser o candidato a presidente, mesmo que tivesse de derrotar o padrinho Alckmin. Cinco dias depois da votação, Temer viajava a São Paulo para reunir-se com Doria na prefeitura. Um gesto sobre seu presidenciável preferido no PSDB.
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A área do Cade responsável por abrir os inquéritos é a poderosa Superintendência Geral. Em 3 de agosto, esta era comandada em caráter interino por Diogo Thomson Andrade, indicado ao Cade por Dilma Rousseff.
Em setembro, Temer indicou para o cargo o advogado e economista Alexandre Cordeiro Macedo, que assumiu em outubro. Este nutre ligações com o líder do governo na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PB), de quem foi vice-ministro das Cidades entre 2012 e 2013, e o senador Ciro Ciro Nogueira (PI), ambos do PP, partido do dito “Centrão”.
O outro cargo importante do Cade, o presidente, também está sob a batuta de um indicado de Temer. Alexandre Barreto de Souza era do Tribunal de Contas da União (TCU), onde chefiava o gabinete do ministro Bruno Dantas, um apadrinhado de senadores do PMDB.
Foi Macedo, o superintendente-geral, quem resolveu tornar públicos os inquéritos sobre o cartel de empreiteiras em São Paulo, com despachos na segunda-feira 18. No mesmo dia, assinou outros dois despachos a liberar um histórico dos processos, um calhamaço de informações.
Quando da votação pelos deputados da segunda “flechada” em Temer, em 25 de outubro, o mesmo tucano mineiro que em agosto dizia que o Planalto veria Alckmin como um inimigo, dizia à reportagem: “O Geraldo é experiente, deve saber o que faz. Mas lá no Planalto o pessoal não esquece. A vingança é um prato que se come frio.”
Temer escapou dessa segunda  flechada” por 251 votos a 233. No PSDB, foram 23 deputados contra o presidente e 21 a favor.
A quebra do sigilo dos inquéritos é capaz de abastecer a mídia com informações bem no eleitoral ano de 2018. Até aqui, Alckmin parecia o presidenciável menos atingido por denúncias de corrupção. As denúncias contra ele na Operação Lava Jato repousam sem novidades no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Agora abre-se um novo flanco capaz de chamuscá-lo, o Cade.

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Fonte: O Essencial








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