sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

GLAUCOS, ENFIM, ADMITE QUE ASSINOU RECIBOS APRESENTADOS POR LULA

15 de dezembro de 2017




Se no caso triplex Sergio Moro teve de fazer "piruetas jurídicas" para condenar Lula, nesta ação penal envolvendo a Odebrecht, o leitor não deve esperar menos do que um verdadeiro espetáculo circense


Jornal GGN - Se na sentença do caso triplex o juiz Sergio Moro teve de dar umas "piruetas jurídicas" para condenar Lula, nesta segunda ação penal - na qual a Lava Jato afirma que o petista recebeu um apartamento da Odebrecht e a prova disso é que ele não teria pago os aluguéis, mas, sim, "falsificado" os recibos - o leitor não deve esperar menos do que um verdadeiro espetáculo circense.

Quem está na corda bamba, se esforçando ao máximo para não deixar a narrativa cair por terra, é o réu Glaucos da Costamarques, primo distante de José Carlos Bumlai. Ele é o elo que liga a Odebrecht a operações que supostamente teriam beneficiado Lula.

Diante de Moro nesta sexta (15), pela segunda vez, Glaucos impôs algumas derrotas à turma de Deltan Dallagnol. Ele atestou a veracidade de provas levadas aos autos pela defesa de Lula e ainda disse expressamente que é dono do apartamento atribuído ao ex-presidente pelos procuradores.

GGN já mostrou, com base em um relatório da Polícia Federal que teve seu verdadeiro teor abafado pela grande mídia, que Glaucos possivelmente colabora com a Lava Jato, na condição de um delator informal, porque a Receita encontrou movimentações supeitas em suas contas. E essas movimentações envolvem depósitos que somam mais de R$ 8 milhões, que ele recebeu de seus filhos. (Leia mais aqui)

A Lava Jato, como se sabe, é especialista em arrastar familiares para o olho do furacão como forma de pressionar os investigados a colaborar. Paulo Roberto Costa é o exemplo mais lembrado.

Glaucos é réu, assim como Lula e o advogado Roberto Teixeira, além de executivos da Odebrecht, porque comprou um imóvel que seria ofertado para o Instituto Lula. Mas, na mídia, a segunda parte da denúncia da Lava Jato ganhou mais espaço: a compra de um apartamento vizinho ao do ex-presidente, em São Bernardo do Campo, também por Glaucos, a pedido de Bumlai.

Pois foi na esperança de cair nas graças de Moro que Glaucos disse ao juiz que entre fevereiro de 2011 (quando fez o contrato com Marisa Letícia), e novembro de 2015 (quando Bumlai foi preso), Lula não pagou o aluguel pelo espaço.

O problema na história de Glaucos, até então, era o fato de que ele mesmo declarou o recebimento dos aluguéis em seu imposto de renda, todos os anos.

Quando a defesa de Lula surgiu com os comprovantes de pagamento, a Lava Jato e os jornais que funcionam como porta-vozes dos procuradores entraram em polvorosa. Trataram os recibos como peças falsas e insuficientes para atestar a versão de Lula. Abriu-se um incidente de falsidade.

Foi no âmbito deste incidente de falsidade que Glaucos foi chamado para depor novamente diante de Moro, nesta sexta-feira (15). A missão do réu era desmontar todas as provas que foram levantadas em favor de Lula e contra a narrativa criada pela Lava Jato. Além dos recibos, existem:

- Sírio Libanês negando que Roberto Teixeira tenha visitado Glaucos no hospital em data referida por este último. Glaucos afirma que, no Sírio, Roberto lhe informou que a partir de novembro de 2015, o aluguel seria pago. 

- E-mail trocado entre Glaucos e o contador responsável pela declaração do imposto de renda de Lula, no qual o primeiro expõe os valores de aluguel recebidos ao longo de 2013.

A questão principal neste segundo depoimento de Glaucos era saber se ele confirma que assinou os recibos apresentados pela defesa de Lula. Ele disse que sim, a assinatura era dele.

Ele reafirmou que não recebeu aluguel entre fevereiro de 2011 e novembro de 2015. Mas agora surgiu com um fato novo: uma explicação do por quê declarava no imposto de renda um aluguel que ele não recebia.

A história é que Bumlai ressarcia Glaucos pelo menos em relação aos impostos. Como? Em transações particulares, como compra de cavalos. Nem Moro, nem o Ministério Público perguntaram se ele tinha provas dessa versão.

Moro se preocupou em saber como Glaucos explica que o Sírio Libanês não resgistrou a visita que ele diz ter recebido de Roberto Teixeira. 

Foi assim que o réu-delator informal ajudou a Lava Jato a explicar a falta de prova:

"Ele entrou sem se identificar. Porque a entrada no hospital ... é... a... a... entrada no hospital, onde a gente faz o crachá lá na frente é falha. E eu vou dar ao senhor um exemplo. Quando eu estava internado, meus filhos alugaram um flat na rua lateral do hospital, bem na frente do pronto socorro do hospital. Eles saiam dali sem se identificar e entravam pelo pronto-socorro. Eu vou explicar para o senhor... Nem toda entrada é fiscalizada. A principal é, as outras não são."

Glaucos admitiu que o e-mail apresentado pela defesa de Lula sobre os valores de 2013 é verdadeiro.

E deixou para o final uma frase que a defesa de Lula, em nota, chamou de contraditória, já que nela, Glaucos admite que é dono do apartamento que a Lava Jato atribuiu ao ex-presidente.

Disse Glaucos, sobre a conversa que diz ter tido com Roberto Teixeira, em novembro de 2015:

"Com esse negócio que aconteceu [o estouro da Lava Jato], a prisão do Zé Carlos [Bumlai] e tudo, ele [Bumlai] já não me pagou [o valor gasto na compra do apartamento], eu não vou mais receber esse dinheiro. Então, daqui para frente, eu vou assumir, o apartamento é meu. Até aquela data, na minha cabeça, eu tinha comprado para o Zé Carlos e ele estava me devendo o dinheiro do apartamento. Mas dali para frente, como comecei a receber o aluguel e tudo, o apartamento era meu. (...) O aparamento, na minha cabeça, é meu."

Em nota, a defesa de Lula escreveu:

"A verdade hoje confirmada pelos depoimentos é que os recibos de locação, como sempre foi afirmado pela defesa do ex-Presidente Lula, são autênticos, foram emitidos pelo Sr. Glaucos da Costamarques com declaração de quitação em favor da D. Marisa, que é prova mais plena do recebimento dos aluguéis de acordo com a lei brasileira, confirmada por outros documentos existentes nos autos, como a movimentação nas contas do proprietário envolvendo valores em espécie. Também ficou claro mais uma vez que o apartamento não é do ex-Presidente Lula e que não há qualquer valor proveniente de contratos da Petrobras relacionado ao imóvel, ao contrário do que consta na denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal."


Fonte: Jornal GGN  por Cíntia Alves






















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