quarta-feira, 28 de março de 2018

A FALA DE ALCKMIN E A DE DORIA SOBRE TIROS SÃO IRRESPONSÁVEIS. QUE SE RETRATEM JÁ! OU ESTARÃO AMBOS JUSTIFICANDO A VIOLÊNCIA

Alckmin e Doria: ou fala da dupla foi impensada e merece retratação. Ou ambos não se retratam, e, então, estamos no vale-tudo. O que vai ser?

28 de março de 2018




O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o prefeito da capital, João Dória, ambos do PSDB, foram extremamente infelizes ao comentar os tiros que colheram o ônibus que integrava a caravana do PT. Ambos deveriam se retratar.


“Acho que eles estão colhendo o que plantaram”, afirmou o governador, segundo informa a Folha. Ele iria assistir em seguida à pré-estreia do filme “Nada a Perder”, uma cinebiografia de Edir Macedo, que comanda a Igreja Universal do Reino de Deus, uma seita religiosa que tem também um partido: o PRB.

Salvo melhor juízo, a Universal é uma denominação cristã. E “o olho por olho, dente por dente” não é exatamente um primado cristão.

Até porque seria o caso de perguntar a Alckmin quando é que acaba essa colheita macabra. Digamos que, agora, adversários do PSDB passem a achar que as ações do partido, então, merecem tratamento semelhante porque, afinal, com seu comentário, o governador também está plantando o que seus adversários dizem que ele merece… colher.

Alckmin ainda tentou explicar. Afirmou que o PT sempre atuou para dividir o Brasil — sim, é verdade, o “nós contra eles” é uma genuína criação de Lula — e que, agora, os petistas “acabaram sendo vítimas”.

Calma lá!

O comentário já seria infeliz se estivesse se referindo ao cerco aos ônibus com paus, pedras e ovos, além da obstrução do direito de ir e vir. Mas estamos falando de TIROS!

Poderia ter acontecido em São Paulo, e a Polícia estaria obrigada a investigar. Não se conceberia um governador que dissesse: “Colheram o que plantaram”.

Doria foi na mesma linha. Li uma longa entrevista de seu marqueteiro ontem. Não encontrei lá a justificativa para esta frase:

“O PT sempre utilizou da violência, agora sofreu da própria violência. Mas não recomendo ovos, e sim prisão para ele [Lula]”.

Algumas observações:

1: o fato de o PT sempre ter utilizado a violência não torna justificável a violência contra o PT, ou teríamos aí o prefeito a justificar o início de um ciclo. É uma questão lógica. E isso termina nos Bálcãs;

2: suponho que Doria se opusesse, como sempre me opus, à violência dos grupos petistas. E certamente era contrário não porque praticada por petistas, mas porque se tratava de violência, inaceitável em qualquer caso. Ou contra petistas ela passa ser aceitável porque, afinal, olho por olho, dentre por dente?;

3: Doria falou sobre “ovos”, de que ele próprio já foi alvo na Bahia. Mas se esta a falar de tiros;

4: prefeito e pré-candidato a governador não “recomenda” a prisão de ninguém. Se recomendar, a recomendação tem de ser dirigida a alguém; No caso, está dirigindo uma “recomendação” a ministros do Supremo, é isso?;

5: além de procuradores e juízes, teremos chefes de Executivo locais a dizer o que devem fazer os senhores ministros?

A propósito: o prefeito é contra a presunção de inocência só para Lula ou para todos os políticos?

É lamentável que lideranças com tal importância — um deles é presidente de um dos maiores partidos do país e pré-candidato à Presidência da República, e o outro, postulante provável ao governo do Estado — falem essas coisas, que, francamente, cruzam a linha que separa a responsabilidade da irresponsabilidade.

Ah, sim: eu já chamei de irresponsáveis petistas e esquerdistas que justificaram a violência ou que com ela anuíram.

E eu tenho um só critério nessas coisas: para petistas e para tucanos, para guelfos e gibelinos, para corintianos e palmeirenses — ou santistas, ou são-paulinos…

Ou, na democracia, a gente crê na luta política, que não prevê paus, pedras e tiros, ou a gente crê em paus, pedras e tiros e, nesse caso, não crê da democracia.

O que vai ser?

A dupla daqui a pouco estará em campanha.

Será com palavras ou paus, pedras, ovos e tiros?

Ou as respectivas falas foram impensadas, e eles a retiram e se retratam. Ou ambos expressaram um pensamento. E, nesse caso, vale-tudo desde que se possa acusar o outro de fazer o mesmo. É um atalho para a barbárie.

Estamos falando de tiros, senhores!

DE TIROS!


Fonte: Por: Reinaldo Azevedo





















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