segunda-feira, 15 de julho de 2019

PARA DELTAN E “ROBITO”, AMANHÃS GLORIOSOS; PARA A POPULAÇÃO, TERROR E MEDO

15 de julho de 2019




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Como vocês viram, na conversa em que o procurador Deltan Dallagnol pede a Sergio Moro dinheiro para finalizar a produção de uma peça publicitária que seria veiculada pela Globo, há o envio de dois PDFs


Um deles é esse que se vê no alto: trata-se do orçamento enviado pela produtora, que, obviamente, não comete crime nenhum e está apresentando o que lhe foi encomendado. Certamente Deltan há de reconhecer a sua autenticidade, não é mesmo?
O outro documento traz o roteiro do filmete, cuja imagem segue abaixo. Transcreve-se o texto na sequência.




 TRANSCRIÇÃO DO ROTEIRO

Dez Medidas Contra a Corrupção

Roteiro 30″

"Engravatado" Cena de madrugada, numa casa de família de classe média. O silêncio deixa claro que a família está dormindo. O trinco da porta da cozinha se mexe e um homem de terno e gravata entra na casa.

Ele mexe na geladeira e começa a jogar fora toda a comida da família.

Ouvimos a locução em off:

– A corrupção atinge a sua vida de tantas formas que você nem percebe,

Se dirige ao banheiro e pega vários frascos de remédios, jogando-os fora também.

Corta para imagem do casal, que dorme sem perceber nada.

– desviando recursos que deveriam ir para a saúde,

O homem entra no quarto das crianças, que dormem quietas. Ele pega os livros nas mochilas delas e rabisca todos eles, rasgando as páginas também.

– para a educação

Ele segue para o quarto do casal, que continua dormindo. Antes de entrar, engatilha um revolver.

ou para a segurança.

 O homem entra, a porta do quarto se fecha e a tela fica escura.

É hora de acordar.

Na tela preta entra o lettering: 10 Medidas Contra a Corrupção.

– Ajude a campanha 10 Medidas Contra a Corrupção a virar lei.

Telas de assinatura com logo e site: www.combateacorrupcao.mpf.mp.br/10-medidas

– Acesse o site, conheça as medidas e assine o projeto que pode acabar com a corrupção no país.

Fica apenas do projeto:

– Não desista do Brasil


A ESTÉTICA DO TERROR

Como vocês podem perceber, Deltan Dallagnol e sua turma podem ser bem mais solares e divertidos quando tratam de meios para ganhar dinheiro com a Lava Jato, conforme revelou reportagem da Folha e do site The Intercept Brasil neste domingo.

No diálogo entre Deltan e "Robito" — o também procurador Roberson Pozzebon —, há até certo clima de galhofa. Este chega a dizer que, caso a empresa a ser constituída pelas respectivas mulheres de ambos para receber os "lucros" das "palestras e aulas" chame a atenção dos críticos, então é porque ambos estarão sendo bem-sucedidos nas artes de ganhar o vil metal — "vil metal" é expressão destes escribas, claro!

Vale lembrar trecho do diálogo travado no dia 14 de fevereiro de 2019, quando Deltan fala sobre a conveniência de o quarteto se associar a uma empresa de palestras chamada "Star", de propriedade de Fernanda Cunha.

Roberson

21:42:13 
Gostei da ideia, Delta!

21:42:37 
E se falássemos pra ela que a divisão seria por 5 (20% cada um)

21:42:44 Vc acha que ela toparia?

Deltan

21:44:59 
Ela ganha 20% sobre palestrantes sem fazer muito esforço… e aqui ela faria toda a organização… acho que os 20% não vão servir de estímulo, mas posso ver com ela

21:45:04 
posso propor sim

21:50:55 
só vamos ter que separar as tratativas de coordenação pedagógica do curso que podem ser minhas e do Robito e as tratativas gerenciais que precisam ser de Vcs duas, por questão legal

21:51:21 
é bem possível que um dia ela seja ouvida sobre isso pra nos pegarem por gerenciarmos empresa

Roberson

21:57:08 
Assim vai funcionar Delta. Ótima ideia

21:59:07 
Se chegarem nesse grau de verificação é pq o negócio ficou lucrativo mesmo rsrsrs

21:59:11 
Que veeeenham


Roberson Pozzebon, parceiro de folguedos de Deltan Dallagnol e candidato a sócio nos lucros derivados da atuação fora dos autos de ambos


DE VOLTA


Notem que há uma pegada de euforia desafiadora: "Que veeeenham".

A certeza de que eles podem qualquer coisa é de tal sorte que, como se verifica, vão ficando ousados.

Não custa lembrar que Deltan, "Robito" e suas respectivas mulheres — Fernanda e Amanda — estão tratando da criação de uma empresa, que ficaria em nome das "conges", para que a dupla de procuradores, que fala a linguagem pública do jacobinismo inflamado, possa haurir seus "lucros" em razão do que Deltan chama "networking e visibilidade".

A Lava Jato, como se vê, já era um negócio.


TERRORISMO COM O PÚBLICO


Com o público, com o pagador de impostos, com os que ficaram desempregados, com os que viram as empreiteiras a demitir mais de 300 mil pessoas até o ano passado, com os justamente indignados com a corrupção — e qualquer pessoa moral e decente defende que seja combatida —, a linguagem é bem outra.

Aí trata-se da terapia de choque, da estética do terror, da lógica do medo, da paralisia pelo susto.

E, como se nota, o público alvo é a classe média.

Foi assim que a Lava Jato seduziu e mantém apartadas da razão milhões de pessoas.

A lógica implícita é esta: "Se a corrupção existe, então tudo é permitido para combatê-la".

As agressões à ordem legal estão sendo reveladas de maneira miserável e irrespondível.

Enquanto os senhores procuradores viam engordar sua conta bancária — Dallagnol diz a sua mulher que o ano de 2018 deve fechar com R$ 400 mil líquidos oriundos das atividades paralelas —, os brasileiros eram convidados a experimentar o clima de terror, medo e desesperança.

Para os protagonistas da Lava Jato, o futuro sorria, certos de que nada poderia lhes pôr um freio, uma vez que imprensa, Supremo Tribunal Federal, Conselho Nacional de Justiça e Conselho Nacional do Ministério Público pareciam rendidos e no papo. E estavam mesmo!

E se alguém reclamasse? Robito tinha a resposta: "Que veeeenham".

Nos diálogos publicados por Folha/The Intercept Brasil no domingo, fica claro que, no dia 25 de fevereiro de 2015, faltando alguns dias para a Lava Jato completar um ano (começou no dia 17 de março de 2014), Deltan já estava bravo com críticas que se ouviam à sua desenvoltura para conceder palestras.

Escreveu:

"Estou a favor de maior autonomia, mas não me encham o saco, pra usar sua expressão, a respeito de como uso meu tempo."

Entenderam?

Não encham o saco de Deltan!



Fonte: Diário do Centro do Mundo (D. C. M.)   por  Reinaldo Azevedo, deste blog e do programa "O É da Coisa", e Leandro Demori, do site The Intercept Brasil














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