domingo, 8 de setembro de 2019

CELSO TRES: ‘NA ESPANHA, BALTASAR GARZÓN FOI DEMITIDO; AQUI, MORO É PROMOVIDO’

Moro assumindo o Ministério da Justiça. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
8 de setembro de 2019





Procurador e ex-auditor do Tribunal de Contas critica proteção que paira sobre ex-juiz da Lava Jato, responsável por divulgar ilegalmente grampos que incluíam presidente da República




Jornal GGN – As revelações das mensagens trocadas entre membros da Lava Jato, divulgadas neste domingo (08), em reportagem da Folha de S.Paulo feita parceria com o Intercept Brasil, não apenas “enfraquecem a tese” defendida pelo então juiz Sergio Moro, como aponta o título da matéria. Mais grave do que isso, revelam a manipulação de provas e a violação da integridade das pessoas que tiveram os dados coletados ilegalmente.
A crítica é do procurador da República e ex-auditor do Tribunal de Contas Celso Tres. “[Na] Espanha, Baltasar Garzón foi demitido; aqui, promovido”, completa ele em uma publicação feita via Twitter.

Vaza Jato: PF gravou 22 telefonemas de Lula mesmo após ordem para interromper - Conversas mantidas em sigilo no âmbito da Lava Jato enfraquecem a tese de Moro de que ex-presidente buscava assumir ministério para suspender investigações contra ele
https:// ato-pf-gravou-22-telefonemas-de-lula-mesmo-apos-ordem-para-interromper/ 
Ver imagem no Twitter
Mais grave que ‘enfraquecer a tese’! Explícita interceptação criminosa - risível alegação de gravação acidental, culpa da operadora - e, ainda pior, manipulação de prova, violada integridade do coletado; Espanha, Baltasar Garzon foi demitido; aqui, promovido


Baltasar Garzón é um juiz espanhol que ficou mundialmente famoso por mandar prender o ditador chileno Augusto Pinochet, em 1998. Em 2012, o Supremo Tribunal espanhol condenou Garzón a 11 anos de suspensão do exercício da profissão por ter autorizado escutas ilegais durante as investigações de um caso de corrupção.
As mensagens divulgadas pelos jornais Folha-Intercept de conversas trocadas entre os membros da força-tarefa da Lava Jato, incluindo um agente da Polícia Federal, mostram que eles sabiam que os grampo das conversas telefônicas de Lula eram ilegais, mesmo envolvendo a então presidente Dilma Rousseff e vice-presidente Michel Temer.
Os agentes da PF receberam a captação de 22 conversas, mesmo após a ordem da justiça para interromper, isso porque as operadoras de telefonia demoraram para cumprir o corte dos grampos. Desse material, a força-tarefa descartou diálogos onde o ex-presidente Lula apresentou incômodo em aceitar o cargo de Ministro da Casa Civil no governo Dilma.
O petista ainda procurou Michel Temer, que já tinha rompido relações com a então presidente, para tentar um acordo que pudesse estancar a crise política.
A tase que os procuradores e o então juiz Sérgio Moro defendem até hoje é que o objetivo de Lula era tentar escapar da Lava Jato. Obtendo foro privilegiado, caso se tornasse ministro, as investigações contra Lula passariam a correr no Supremo Tribunal Federal, em Brasília, não mais sob a jurisdição de Moro.
A Lava Jato manteve quase todos os áudios captados ilegalmente em sigilo, fora dos autos. Ao receber o processo, no dia 16 de março de 2016, o então juiz Moro autorizou a divulgação dos áudios, incluindo a ligação de Dilma para Lula, onde a então presidente combinava entregar ao petista o termo de posse de ministro “em caso de necessidade”.
A transcrição desse áudio foi lida ao vivo, às 18h32 do dia 16 de março de 2016, na Globo News, acelerando o processo de derrocada do governo, com protestos nas ruas e manifestações na Câmara pedindo a prisão de Lula e impeachment de Dilma.

Fonte: Jornal GGN   por Celso Tres














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