segunda-feira, 7 de outubro de 2019

FOLHA ABANDONA SERGIO MORO, FALTA A GLOBO

(Foto: ADRIANO MACHADO - REUTERS)
7 de outubro de 2019





"A guerra da Folha com Bolsonaro e Moro passou a outro estágio. O ex-juiz tem agora a proteção residual da Globo e do laranja dos Marinho para atacar Lula. Mas a Globo, o empresariado e a Folha já trabalham no projeto Luciano Huck/2022", constata o jornalista Moisés Mendes



A Folha largou Sergio Moro na sarjeta. Deu em chamada de capa que Rodrigo Maia o considera um agressor do Congresso e das instituições, ao tentar manter deputados e senadores sob pressão para tentar fazer valer seu pacote anticrime e sua imagem de justiceiro.

Maia observa que, se as tais 10 medidas do primeiro pacote de Moro e de Dallagnol tivessem sido aceitas pelo Congresso, hoje os dois estariam enrascados.

“Nós rejeitamos (aquele pacote) a prova ilícita de boa fé. Hoje eles criticam a prova ilícita de boa fé no caso do Intercept [que revelou a troca de mensagens entre Moro e o procurador Deltan Dallagnol]. Você vê como são dois pesos e duas medidas que, se nós tivéssemos feito o que eles gostariam, hoje eles eram réus, não eram procuradores e ele não era ministro da Justiça”.

Também a ombudsman da Folha escreve que o diretor de redação do jornal, Sergio D’ávila, admite o erro de ter superestimado em manchetes as informações vazadas pelas delações premiadas da Lava-Jato.

E durante toda a tarde de domingo a manchete da Folha online foi uma denúncia contra uma declaração de Sergio Moro.

Na tentativa de defender os laranjas de Minas, comandados pelo ministro do Turismo, Álvaro Antônio (que a Folha aponta como chefe do núcleo do esquema de caixa dois da campanha de Bolsonaro), o ex-juiz escreveu no Twitter:

“Nem o delegado, nem o Ministério Público, que atuam com independência, viram algo contra o PR [presidente da República] neste inquérito de Minas”.

A Folha observa: “A publicação de Moro (no Twitter) foi ‘curtida’ por Bolsonaro e, depois, compartilhada pelo presidente em sua conta no Facebook”.

PR @jairbolsonaro fez a campanha presidencial mais barata da história. Manchete da Folha de São Paulo de hoje não reflete a realidade. Nem o delegado, nem o Ministerio Público, que atuam com independência, viram algo contra o PR neste inquérito de Minas. Estes são os fatos.

Mas como Moro sabe tudo, indaga o jornal, se o inquérito sobre os laranjas corre sob segredo de Justiça? Moro tem acesso a informações confidenciais, para livrar a cara do chefe? Por ser ministro, o ex-juiz tem acesso a tudo?

A resposta aos ataques da Folha foi dada por Bolsonaro: “A Folha de São Paulo avançou a todos os limites, transformou-se num panfleto ordinário às causas dos canalhas. Com mentiras, já habituais, conseguiram descer às profundezas do esgoto”.

A guerra da Folha com Bolsonaro e Moro passou a outro estágio. O ex-juiz tem agora a proteção residual da Globo e do laranja dos Marinho para atacar Lula, o homem-mosca Diogo Mainardi, porta-voz do ex-chefe de Dallagnol no site Antagonista, onde atua como subgerente. Mas a Globo, o empresariado e a Folha já trabalham no projeto Luciano Huck/2022.

Pode sobrar para Moro a mesma base política de Bolsonaro, de ricos, racistas, homofóbicos e milicianos. A próxima briga será inevitavelmente entre eles, Moro e Bolsonaro.


Fonte: Brasil 247   por Moisés Mendes, jornalista desde os 17 anos. Em 1970, começou como repórter (e depois foi editor) da Gazeta de Alegrete, jornal criado em 1882 por Luís de Freitas Vale, o Barão do Ibirocay, com a missão de combater a escravidão
















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