30 abril 2017

FORA GOLPISTA: PROCURADOR DA REPÚBLICA DIZ QUE SITUAÇÃO DE TEMER É INSUSTENTÁVEL E DISPARA, ‘VAZA’; CONFIRA AQUI!

       30 de abril de 2017


Como se sentiu na sexta-feira, golpista? Não adianta fingir. Se desse, teria baixado o pau, né? Mas não baixou, porque lhe deu paúra. Gente demais. Mais de 30 milhões de trabalhadores paralisados em todo o País. E seu ministro da porrada, aquele da bancada ruralista, chama isso de pífio. A raposa falando das uvas. Para quem não tem popularidade e é avaliado como o pior “governante” da história do Brasil, tanta gente na rua não é um bom presságio.


Pífios são vocês. Traidores mesquinhos. Gente feia. 

Smeagols. Poderia ter entrado para a memória como pacificador, dando apoio à Presidenta Dilma Rousseff e articulando sua base parlamentar, mas preferiu comprar bancada para golpeá-la pelas costas com o Eduardo Cunha, que hoje apodrece na cadeia em Curitiba. E agora você distribui cargos num descarado clientelismo, como se a República fosse res privata sua. A FUNAI, por exemplo, não serve mais aos povos indígenas, serve ao PSC, “é do André Moura”… Nada mais impressiona nesse arrastão que você e sua turma promovem no governo. Política indígena, assim como a educacional, a de saúde, a de moradia… tudo deixou de existir. As pastas que deveriam dar suporte às políticas públicas foram transformadas em regalos para os politiqueiros sem princípios que lhe dão apoio por pura ganância e ambição. Nunca o Brasil chegou tão baixo.

Já não nos comovem cenas deprimentes como aquela experimentada semana passada por seu ministrinho da falta de educação, o Mendoncinha, que gosta de conselhos de ator pornô. Saiu da Universidade Federal da Bahia cortando a cerca, para não ser vaiado pelos estudantes. Neste seu “governo”, nada mais surpreende. Nem mesmo manter nos seus cargos oito ministros investigados por corrupção.

Você conseguiu zerar o investimento público neste ano. Assaltou o BNDES, desviando 1 bilhão de reais de seus cofres. Tudo para debelar uma crise que você e os seus criaram para derrubar uma Presidenta eleita com 54 milhões de votos. Depois a aprofundaram com um déficit primário artificial de 170 bilhões de reais, para distribuir 50 bilhões a amigos. E este ano quis fazer a mesma coisa, não fossem os cofres vazios.

Para alimentar sua rede de favores, resolveu desnacionalizar o Brasil, vendendo campos de petróleo a preço de banana para companhias estrangeiras, abrindo o mercado aéreo para empresas não brasileiras, permitindo a venda de terras a estrangeiros sem qualquer limite e por aí vai. É o jeito de manter seu cassino funcionando, né? Ou será o butim que coube a seus aliados do Norte na guerra que moveu contra nossa jovem democracia?

E acha que nós aceitamos pagar a conta desse seu jogo contra a sociedade? Claro que não. Quando as instituições se omitem na defesa da democracia, devolve-se ao detentor da soberania popular – ao povo – o direito de resistir à arbitrariedade. Somos nós os verdadeiros e originários guardiões da Constituição! Os próximos dias de seu “governo” serão seu ocaso. É bom se acostumar. Sexta-feira foi só o começo. Quem sabe a gente se surpreenda em algum momento próximo com um lampejo de dignidade que em toda sua vida não mostrou e possa aceitar seu pedido de renúncia na paz? Sonhar é de graça. Mas seria melhor assim. 

Seria melhor você sair pela porta dos fundos da história, para não ter que passar por seu corredor polonês pela frente.

Agora, se insistir nessa coisa bandida de destruição da previdência pública para enriquecer seus sócios de fundos financeiros e em pensar que o trabalhador brasileiro é otário e se submeterá a seu capricho de nos catapultar de volta para o regime constitucional de 1891, estará escolhendo o caminho mais doloroso. O povo vai se transformar no pior pesadelo de sua malta. Pense bem antes de testar. Ano que vem – ou até antes – haverá eleições. Ainda é tempo de recuar.

O dia 28 de abril de 2017 foi nossa primeira resposta, a da sociedade brasileira, ao espetáculo deprimente que você e seus ratos no Congresso protagonizaram em 17 de abril de 2016. Foi uma resposta à altura e é bom ouvi-la. Sua liga de super-heróis, a Rede Globogolpe e os MBLs da vida, não tem tamanho para enfrentar o que começamos sexta-feira. Quem viver verá.

Vaza, Temer, vaza!


O Conversa Afiada reproduz artigo de Eugênio Aragão, ministro da Justiça durante o governo Dilma, advogado e professor da Universidade de Brasília:

Temer, vaza!









29 abril 2017

A PARALISAÇÃO DE ONTEM FOI UM SUCESSO PARA OS TRABALHADORES

      29 de abril de 2017


Quando um sujeito de classe média diz que greve é coisa de vagabundo, eu fico com vontade de sentar com ele numa pracinha, comprar um algodão doce, respirar fundo e falar:


"Sabe fulaninho esperto, há 100 anos atrás não existia classe média. Não existia você. Não existia autonomia. Não existia profissional liberal. Nem existia assalariado. Há 100 anos atrás, fulaninho, existia uma pequena elite difusa que se transformou em burguesia, herdeira secular de terras, privilégios, favores e negócios que remetem aos regimes monárquicos, seja no Brasil ou na Europa. Essa elite era dona de tudo: das terras, das fábricas, dos meios de produção. E tudo o que o povão tinha era fome, sede, frio, calor e força de trabalho pra vender por QUALQUER merreca que essa elite quisesse pagar.

Sabe fulaninho, esse povão trabalhador, durante décadas, foi explorado, torturado, privado de tudo, em nome do lucro de poucos. E durante décadas esse povão precisou se unir, e lutou, combateu, apanhou, foi preso....até ser ouvido para, pouco a pouco (bem lentamente mesmo), à duras penas, conquistar direitos trabalhistas que hoje regulam o que você faz.

E foi esse povo que, consolidados os seus direitos, passou a ser um negócio chamado: classe média. Esse povo, com muito suor e sangue, inventou uma classe social potente e enorme que, no caso, Fulaninho, é a SUA classe social. Você é o resultado prático da luta, das greves, das manifestações, e de toda organização política feitas por gente que, por sua força de MASSA, de CONJUNTO, conseguiu mudar o paradigma do século 20.

Seja você um autônomo, dono de uma pequena ou média empresa, seja você um profissional liberal, um prestador de serviços...seja você o que for, você foi inventado por GREVISTAS e só existe porque GREVISTAS permitiram que você pudesse existir e ser livre.

Sem os grevistas, fulaninho espertalhão, hoje você estaria dormindo 3 horas por dia e almoçando água com pedra. Sempre na nobre companhia de um senhorio com uma CHIBATA na mão para que você nunca se esqueça quem manda.

O tempo passou, o mundo mudou, mas nem tanto. Eles continuam tendo o poder e sendo poucos. E os trabalhadores continuam sendo a maioria e fazendo da sua UNIÃO a única arma para garantir sua sobrevivência e seus direitos.

Acorda, fulaninho! O único vagabundo aqui é aquele que teve preguiça e a incapacidade de ler os livros de história."


(autor desconhecido?)

Reflita










SINTRAP ORGANIZA O MAIOR MOVIMENTO POPULAR EM CAXIAS

    28 de abril de 2017


O Sindicato dos Trabalhadores Públicos Municipais de Caxias – SINTRAP articulou com outros Sindicatos de Caxias e Grupos da Sociedade Civil Organizada para que todos juntos participassem da Paralisação Nacional neste dia 28/04/2017 contra as reformas Trabalhista e da Previdência.


A Praça da Matriz foi o local da concentração do Movimento, desde cedo começaram a chegar os participantes, às 9h00 os organizadores deram início ao Ato Público, os representantes de Entidades fizeram uso da palavra.

Por volta das 9h50 começou a caminhada pelas principais ruas da cidade, que teve o seguinte percurso: Rua Desembargador Morato, Praça do Panteon, Avenida Otávio Passos, Praça Gonçalves Dias, Rua Afonso Pena, Rua São Benedito, Praça da Igreja do Rosário, Rua Senador Costa Rodrigues, Rua 28 de Outubro, Avenida Getúlio Vargas, Praça do Panteon e finalizou na Praça da Matriz.




A Polícia Militar destacou o grupo Força Tática para organizar o trânsito por onde o Movimento teria que passar e dar segurança para que motoristas e motociclistas não causassem acidentes aos participantes do Movimento.

Durante o trajeto os representantes de Entidades: SINTRAP, SINDISERMME, IGREJA CATÓLICA, SINDICATO DOS BANCÁRIOS, SINDICATO DOS TRABALHADORES RURAIS, SINDICATO DOS CORREIOS, SINDICATO DOS TRABALHADORES DA AGRICULTURA FAMILIAR, PASTORAL DA JUVENTUDE, ALUNOS DA CESC-UEMA, FAI, FACEMA, CENTRO DE DEFESA DOS DIREITOS HUMANOS “ANTONIO GENÉSIO”, CEM ALUÍSIO AZEVEDO, CEM EUGÊNIO BARROS E muitas outras Entidades todas fizeram uso da palavra e diziam não às reformas Trabalhistas e da Previdência.




Para quem ainda não percebeu as maldades e explorações que virão com essas reformas, iremos tentar mostrar o que os bandidos na Câmara fizeram: na atual legislação o trabalhador deve trabalhar 08 (oito) horas por dia e ganha um salário e o que ultrapassava de 08 (oito) horas era contado como hora extra; na mudança atual o mesmo trabalhador irá 12 (doze) horas por dia e ganhar o mesmo salário anterior; as Leis Trabalhistas não tem valor, o que vale é a negociação entre patrão e empregado. Quem já viu algum patrão negociar com empregado, ou melhor, que patrão já pagou todos os direitos que o trabalhador deveria receber?



Também os Deputados citados na Operação Lava Jato por corrupção, desvio de dinheiro público, peculato e formação de quadrilha, flexibilizou a jornada de trabalho, na atual legislação o trabalhador cumpre sua jornada de trabalho 04 (quatro) horas no período matutino, com 02 (duas) horas de intervalo para o almoço e 04 (quatro) horas no período vespertino; agora o intervalo para o almoço será de apenas 30 minutos, e o patrão escolhe a hora e dia que o trabalhador deva cumprir seu horário de trabalho, que pode ser à noite, nos finais de semana, sem contar horas extras.

O trabalhador público concursado será atingido também, o gestor pode demiti-lo alegando que a folha de pagamento está muita alta, mas os demitidos serão somente àqueles que resistem aos desmandos destes gestores.

Quanto à Previdência Pública o governo impostor está perdoando as contas das empresas, dos grandes clubes de futebol e dos empresários ricos que devem a Previdência Pública, inclusive o (des) governo desvia os recursos para pagar Dívida Externa, recursos esses que deveriam ser destinados à Previdência.

Com isso o impostor Temer gasta milhões em propaganda enganosa dizendo que a Previdência está quebrada.

Com as mudanças feitas, é fim da aposentadoria para os trabalhadores, pois devem contribuir 40 anos para receber seu salário integral e ter idade mínima de 65 anos.










  


27 abril 2017

URGENTE: JORNALISTA GARANTE QUE PALLOCI VAI DELATAR GLOBO, BAND E VINTE BANCOS E DEVE PROLONGAR LAVA JATO POR MAIS UM ANO

         27 de abril de 2017


Senador Requião, isso não é um vazamento!

O Conversa Afiada jamais mereceu um vazamento!

Não é como o detentor do troféu Conexões Tigre!

Portanto, o ansioso blogueiro não corre o risco de pegar uma cana por conta da lei contra os abusos de autoridade do Moro.


Isso aqui é uma informação sólida, concreta.

O Palocci, aquele do fala, Palocci, fala!, vai falar.

Como diz um colega de cadeia: cadeia não é pra qualquer um, não…

Cadeia é…!

Palocci é “um qualquer um” e vai cuspir os feijões.

E, como já tinha anunciado, vai entregar a Globo – a Dilma disse à diretoria da RecordTV que tinha sido o Palocci quem salvou a Globo com um dinheirinho do BNDES.

(A Globo é a favor da livre iniciativa… dos concorrentes…

Quá, quá, quá!

No best-seller “O Quarto Poder – uma outra história” se sabe que a Maria Sílvia, essa coveira do BNDES, chefiou uma delegação de “comunicadores” quebrados, a Globo à frente, para tentar tomar uma grana do BNDES.

O então presidente do banco, Carlos Lessa, no primeiro mandato do Lula, disse que só topava conversar se, como premissa, eles assinassem um documento em que se comprometiam a não demitir ninguém. Nunca mais voltaram lá.)

Uma nova informação dá conta de que o Palocci vai falar também da Bandeirantes e dos Saad que, já naquela altura, estavam mais para TV Manchete do que para Netflix…

Quá, quá, quá!

Palocci também está disposto a delatar vinte – VINTE! – bancos.

O ansioso blogueiro ainda não sabe se Palocci vai dar a lista dos que o consultavam quando mantinha uma consultoria ao mesmo tempo em que chefiava a Casa Civil da Dilma.

Deve ser gente tão gorda – ou magra, a depender dos exercícios físicos e das maratonas que faça… – que preferiu continuar na consultoria a ficar no Palácio!

O problema é saber se, diante dessa lista gorda, o Imparcial de Curitiba esteja ainda interessado na delação do Palocci.

Mas, sabe como é: o Palocci pode jurar que viu o Lula levar para casa o pote de ouro que fica no fim do arco-íris.

O risco é o Moro acreditar nele!


PHA







26 abril 2017

COM 87% DE REJEIÇÃO, TEMER EMPATA COM CUNHA E É O POLÍTICO MAIS ODIADO DO BRASIL

       26 de abril de 2017


Michel Temer bateu mais um recorde de impopularidade, comprova uma nova pesquisa do instituto Ipsos; a desaprovação ao peemedebista saltou nove pontos em um mês e agora, pela primeira vez desde sua posse, iguala-se à taxa do ex-deputado Eduardo Cunha, personalidade pública mais rejeitada do Brasil em reiteradas pesquisas; de acordo com o novo levantamento, 87% dos brasileiros desaprovam a forma como Temer vem atuando; a aprovação a Temer também sofreu mudança relevante no período de um mês; caiu de 17% para 10% (em outubro de 2016, em seu melhor momento, chegou a 31%); já a taxa de ruim e péssimo foi a 75%



247 - Uma nova pesquisa comprovou aquilo que as ruas já mostram: Michel Temer empatou com o ex-deputado Eduardo Cunha no posto de  político mais odiado do Brasil.
 A desaprovação a Michel Temer saltou nove pontos em um mês e agora, pela primeira vez desde sua posse, iguala-se à taxa do ex-deputado Eduardo Cunha, personalidade pública mais rejeitada do Brasil em reiteradas pesquisas.
Conforme levantamento da Ipsos realizado no início de abril, 87% dos brasileiros desaprovam a forma como Temer vem atuando. Em relação a Cunha, hoje preso pela Lava-Jato, as menções negativas alcançam 90%. Como a margem de erro é de três pontos, trata-se de um empate técnico.

"A aprovação a Temer também sofreu mudança relevante no período de um mês. Caiu de 17% para 10% (em outubro de 2016, em seu melhor momento, chegou a 31%). Nesse quesito, porém, ele aparece melhor que Cunha, aprovado por apenas 2%.
A Ipsos, que faz esse monitoramento mensalmente, ouviu 1.200 pessoas em 72 municípios entre 1º e 12 de abril. O noticiário sobre as reformas já era intenso. As entrevistas, no entanto, foram feitas antes da divulgação das delações da Odebrecht, que atingiram Temer e vários outros políticos da situação e da oposição.
No capítulo de avaliação do governo federal, a pesquisa também traz más notícias para o presidente. Os brasileiros que julgam a administração como boa ou ótima somam apenas 4%, a menor taxa desde a posse. É numericamente o mesmo patamar apurado no pior período da gestão da ex-presidente Dilma Rousseff, entre setembro de novembro de 2015.
Na ponta oposta, a taxa dos que avaliam o governo atual como ruim ou péssimo sobe mês a mês. Era de 59% em janeiro e fevereiro, passou para 62% em março, atingiu 75% em abril."












23 abril 2017

GLOBO E FOLHA IGNORAM PROVAS DE U$ 65 MILHÕES A TEMER E DESTACAM TICKET DE PEDÁGIO CONTRA LULA

23 de abril de 2017



Folha e O Globo trazem hoje relatos sobre as provas oferecidas pela Odebrecht e pela OAS para ratificar as declarações dos delatores contra, respectivamente, Michel Temer e o ex-presidente Lula.

A Odebrecht apresentou , segundo o jornal paulista, “extratos que seriam de pagamento de propina vinculada por delatores a uma reunião com o presidente Michel Temer em 2010”.



Os valores superam os US$ 40 milhões que, segundo ex-executivos, tiveram o repasse acertado em encontro com o hoje presidente, em seu escritório político paulistano.

A propina é ligada, de acordo com a Odebrecht, a um contrato internacional da Petrobras, o PAC-SMS, que envolvia certificados de segurança, saúde e meio ambiente em nove países onde a estatal atua. O valor inicial era de US$ 825 milhões.

Já a OAS, diz o jornal dos Marinho, pretende apresentar a agenda de seu executivo Léo Pinheiro como prova de que este teve encontros com Lula, à qual a Força Tarefa pretende anexar um relatório de pedágio demonstrando que os carros que servem a Lula teriam ido, ao longo de dois anos, seis vezes ao Guarujá. É capaz de eu ter ido umas seis vezes a Petrópolis ao longo de dois anos, que fica do Rio mais ou menos à mesma distância e nem por isso tenho um “simplex” lá, que dirá um triplex.

De um lado, situações objetivas, retratando a movimentação de mais de uma centena de milhões de reais – “os extratos atingem US$ 54 milhões, mas a soma de planilhas anexadas chega a US$ 65 milhões – saídos de cinco empresas em “mais de 50 depósitos em offshores fora do Brasil que vão de US$ 280 mil a US$ 2,3 milhões”.

Ou seja, de onde veio e para onde foi. Uma riqueza probatória que nem mesmo no caso das contas suíças de Eduardo Cunha se dispunha.

Do outro lado: “eu digo que foi”, “eu tenho meu diário”, ninguém ouviu, mas ele me disse” e outras coisas do gênero que podem ser acusações, mas não adquirem a materialidade da prova: um documento, um depósito, um registo bancário, uma procuração, nada que se possa usar para dizer: sim, o apartamento pertenceu a Lula.

O Globo, porém, produz a melhor das provas circunstanciais de que Léo Pinheiro mentiu em sua delação.

É que informa que o jornal publica, desde 2010, reportagens dizendo que o tríplex seria de Lula.

Não seria preciso apenas ser corrupto, mas muito burro para operar um favorecimento na troca de um apartamento no Guarujá que há quatro anos já despertava os inquisidores da “Lava Globo”.

O contraste das duas investigações é impressionante.

Uma é tudo o que se quer que seja. Na outra, mesmo estando evidente que é, não é para ser.

Ou, pelo menos, enquanto não de quiser um novo impeachment.


Fonte: o tijolaço









22 abril 2017

AÉCIO NÃO FAZ MAIS APARIÇÕES PÚBLICAS, SUMIU DO SENADO E É O MAIS FALTOSO

   22 de abril de 2017


Senador Aécio Neves, presidente nacional do PSDB e articulador principal do golpe parlamentar contra Dilma Rousseff, que alçou Michel Temer à Presidência em 2016, anda sumido; segundo a Coluna do Estadão deste sábado, 22, Aécio desapareceu do Senado; “Está em Belo Horizonte preparando dua defesa nos cinco inquéritos que responde sobre acusações feitas pela Odebrecht”, diz a nota; em um dos inquéritos, Aécio é acusado de receber R$ 7,3 milhões de propina da Odebrecht para campanhas eleitorais do PSDB; em outra investigação, o “Mineirinho” teria recebido propina na construção das usinas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, no rio Madeira


Minas 247 – O senador Aécio Neves, presidente nacional do PSDB e articulador principal do golpe parlamentar contra Dilma Rousseff, que alçou Michel Temer à Presidência em 2016, anda sumido. PUBLICIDADE

Segundo a Coluna do Estadão deste sábado, 22, Aécio desapareceu do Senado. “Está em Belo Horizonte preparando sua defesa nos cinco inquéritos que responde sobre acusações feitas pela Odebrecht”, diz a nota.
Entre os inquéritos contra Aécio autorizados pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, está o recebimento de propina da Odebrecht no valor de R$ 7,3 milhões para campanhas eleitorais do PSDB.

Segundo a Procuradoria-Geral da República, autora do pedido, dois delatores da Odebrecht apontaram, por meio de declaração e prova documental, que, em 2010, “vantagens indevidas” no total de R$ 5,5 milhões, a pedido de Aécio, “a pretexto de campanha eleitoral” ao governo de Minas de Anastasia.

Em outro inquérito, Aécio é investigado ao lado do deputado Dimas Fabiano (PP-MG). O pedido é baseado nas colaborações premiadas de BJ e de Marcelo Odebrecht, ex-presidente da empreiteira. Segundo o Ministério Público, os delatores “apontam, por meio de declaração e prova documental, que, em 2014, pagaram, a pedido do Senador Aécio Neves, vantagens indevidas a pretexto de campanhas do próprio Senador à presidência da República e de vários outros parlamentares, como Antonio Anastasia, Dimas Fabiano e José Pimenta da Veiga Filho”.

O terceiro inquérito investiga relatos de pagamento de propina a Aécio vinculados à construção das usinas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, no rio Madeira. Os pagamentos teriam sido feitos em conjunto com outra empreiteira investigada pela Lava Jato, a Andrade Gutierrez. Os repasses teriam sido feitos em parcelas de R$ 1 milhão e R$ 2 milhões. Segundo os delatores, Aécio seria o “Mineirinho” da planilha do setor de propina da empreiteira.


Fonte: BRASIL 247








21 abril 2017

SAFATLE: O FUTURO DE CADA BRASILEIRO ESTÁ SENDO DECIDIDO POR CRIMINOSOS



21 de abril de 2017


"Você deixaria o seu futuro e o futuro de seus filhos ser decidido por criminosos ou por pessoas com fortes suspeitas de crimes? Pois é isso que está acontecendo agora", diz o filósofo Vladimir Safatle, ao comentar a agenda de reformas conduzida por um governo recordista em corrupção e votada por um parlamento igualmente manchado; "O mesmo presidente da Câmara, sr. Rodrigo Maia foi acusado por um delator da Odebrecht de receber R$ 350 mil diretamente em casa. Como alguém com tais acusações nas costas, em qualquer reles democracia liberal no mundo, poderia continuar presidindo a Câmara e decidindo modificações constitucionais?", questiona



247 – O povo brasileiro está permitindo que seu futuro e o das próximas gerações seja definido por criminosos. É o que aponta o filósofo Vladimir Safatle, num importante artigo publicado nesta sexta-feira.

"Você deixaria o seu futuro e o futuro de seus filhos ser decidido por criminosos ou por pessoas com fortes suspeitas de crimes? Pois é isso que está acontecendo agora. Questões fundamentais para o seu futuro, como o sistema de aposentadorias e as leis trabalhistas, estão sendo decididas por pessoas indiciadas na participação em crimes milionários ou que são réus em ações penais correndo no STF. Só na última lista da Lava Jato são 24 senadores e 39 deputados indiciados, inclusive os atuais presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Além disto, quatro senadores e 50 deputados respondem atualmente por ações penais no STF", diz ele.

Safatle lembra a situação jurídica do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e diz que ele deveria ser afastado. "O mesmo presidente da Câmara, sr. Rodrigo Maia, que afirmava há alguns dias que a Justiça do Trabalho não deveria nem sequer existir, foi acusado por um delator da Odebrecht de receber R$ 350 mil diretamente em casa. Como alguém com tais acusações nas costas, em qualquer reles democracia liberal no mundo, poderia continuar presidindo a Câmara e decidindo modificações constitucionais?"

Segundo o filósofo, é preciso encontrar formas de defender a sociedade brasileira de quem usurpa o poder. "Deputados, presidentes não são 'representantes' do povo. No máximo, eles são seus 'comissários', como dizia Jean-Jacques Rousseau. Por isso, uma verdadeira democracia deveria ter, ao lado dos Poderes Executivo e Legislativo, a figura da assembleia popular a ratificar leis e apor seu aceite ou sua recusa. O povo deve ter as estruturas institucionais que lhe permitam continuamente se defender de quem procura lhe usurpar o poder."




19 abril 2017

TUCANOS ROUBARAM UMA LINHA INTEIRA DE METRÔ

Começou com Careca, o guloso
19 de abril de 2017             Santo e Careca roubam juntos e separados (Reprodução) 


Uma obra, muitos corruptos. Assim poderia ser descrita a expansão da linha 2-Verde do Metrô de São Paulo, segundo o relato do delator Fabio Gandolfo, ex-diretor do contrato na Odebrecht. Seu depoimento mostra a anatomia da corrupção que beneficiou a empresa ao longo de ao menos 15 anos e envolveu diversas esferas políticas: teriam recebido propina o órgão que deveria fiscalizar o contrato, membros da Assembleia Legislativa e um deputado federal e membros da diretoria do Metrô. Além do tucano José Serra, que no período se preparou para eleições à Prefeitura de São Paulo e ao Governo paulista. O depoimento do executivo foi colhido pela força tarefa da Operação Lava Jato e tornado público no final da semana passada, quando o ministro do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, derrubou o sigilo das investigações, revelando a sistemática corrupta gerenciada pela empresa.


Gandolfo conta em seu depoimento que assumiu o contrato dos lotes dois e três da linha no início dos anos 2000. O contrato existia desde 1992, mas nunca havia sido implementado, pois o Governo do Estado afirmava não ter dinheiro para as obras. Havia, no entanto, uma cláusula que determinava que, se a construção não se iniciasse no prazo de seis meses após a assinatura do acordo, ele poderia ser extinto. Para que isso não ocorresse, esse contrato precisava passar por aditamentos. É neste momento que se inicia o primeiro episódio de corrupção. Para que o Tribunal de Contas do Estado (TCE), órgão responsável por fiscalizar a lisura da aplicação do dinheiro público em São Paulo, não contestasse os aditamentos, o delator conta que havia um "compromisso" de pagamento, na ordem de 0,9% do contrato. Quando questionado se esse compromisso indicava "propina", ele confirma que sim.

"Quando eu cheguei, já tínhamos assinado 20 aditivos contratuais mantendo a eficácia [do contrato]. Vinte aditivos sem ter iniciado [a obra]", conta ele. "O Metrô não tinha interesse em desmanchar o contrato porque teria que fazer licitação outra vez, e isso demora. Mas não havia recurso para executar a obra. O grande problema era se o TCE aprovava ou não aditivo. Não sei se o acordo envolvia todos os conselheiros, um conselheiro ou o quadro técnico do tribunal", afirma o executivo. Segundo ele, os pagamentos haviam sido acordados com um intermediário, chamado Luiz Carlos Ferreira. Não fica claro o papel dele junto aos receptores da propina, já que o delator afirma que ele era um consultor. "Esse compromisso seria da ordem de 0,9% do valor do contrato. Nós tínhamos dois lotes, portanto, dois contratos. O do lote dois, da linha 2, era da ordem de 125 milhões de reais, e o contrato do lote três, da ordem de 150 milhões de reais." O codinome dele na planilha da Odebrecht era Corinthiano e ele recebeu, ao todo, 2,754 milhões de reais, segundo o delator.

Em 2003, houve a decisão por parte do governador Geraldo Alckmin de ampliar a linha Verde. E, com isso, decidiu-se colocar em prática a obra acordada com a Odebrecht. E, neste momento, se inicia o segundo episódio de corrupção, segundo o delator. "Um pouco antes de começarem as obras, o presidente do Metrô na época, Luiz Carlos Frayze David, me convocou para uma reunião no gabinete dele. Disse que ele precisava de um apoio político nosso para um grupo de deputados, para que não tivesse pressão da assembleia contra esse contrato. Porque, vamos convir, que ficar com um projeto por dez anos em stand by[espera] é um negócio discutível. Por que não fazer nova licitação? Porque vai perder tempo. Mas é discutível", afirma ele.

O ex-diretor do Metrô, que ganhou o codinome Estrela, teria recebido 10 milhões de reais, em três entregas distintas, todas feitas em sua casa. O dinheiro, diz o delator, iria ao menos para dois parlamentares: Rodrigo Garcia, então deputado Estadual pelo DEM que entre 2005 e 2007 foi presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo; e Arnaldo Madeira, um dos fundadores do PSDB, ex-deputado federal e que, em 2003, assumiu a secretaria estadual da Casa Civil no Governo Alckmin. "Ele me disse que precisaria da ordem de quatro ou cinco por cento do valor do contrato para que fosse destinado a ele e ele se encarregaria de fazer essa distribuição."

Na mesma reunião, descreve Gandolfo, Frayze David teria pedido ainda um outro valor. Ou seja, o terceiro episódio de corrupção no mesmo contrato. "Ele disse que precisava de um apoio da área operacional do Metrô", conta. "Como a gente não ia fazer a linha inteira (...) .seria preciso fazer uma análise e um planejamento operacional. E, para isso, precisaria envolver a área de operação do Metrô, que é uma área muito forte, rigorosa. Ele pediu para designar 0,5%, que seria entregue ao diretor de Operações do Metrô, Décio Tambelli", ressalta. Tambelli ganhou na planilha o codinome Bragança e recebeu em seu escritório, segundo o delator, um valor aproximado de 1,5 milhão de reais. Ainda segundo o delator, um quarto episódio de corrupção ocorreu neste contrato: seria necessário fazer um ajuste contratual, devido às mudanças necessárias no projeto. Para isso, teria dito o ex-diretor do Metrô, seria necessário entregar mais 0,5% do valor contrato para Sérgio Brasil, que liderava o setor de contratação, que ganhou o codinome Brasileiro e uma quantia também próxima a 1,5 milhão de reais, entregues em restaurantes de São Paulo.

Os contratos da Odebrecht para a realização da obra foram responsáveis ainda por um outro nome na planilha de corrupção da empresa. Um executivo da empresa solicitou que ele incluísse o pagamento de 3% deste contrato para o codinome Careca "para gastos em futuras campanhas políticas". Na hora, não foi dito a ele quem era a pessoa por trás do apelido, mas ele descobriu, posteriormente, que se tratava do tucano José Serra, que também era conhecido pelo codinome Vizinho. "Esse eu programava, mas eu nunca pagava. Esse dinheiro era entregue, mas eu não sei a quem", conta o delator, que ressalta que o dinheiro era destinado a campanhas políticas. Em 2004, Serra concorreu nas eleições para prefeito de São Paulo, cargo ao qual renunciou dois anos depois, para concorrer ao Governo de São Paulo. "Neste período [de contrato] nós recebemos do Metrô mais ou menos 320 milhões de reais porque tinha reajuste. Eu detectei pagamento para (...) o Vizinho de 4,670 milhões. Os 3% dariam 7,5 milhões, mas eu só detectei isso. Mas eu sai do contrato em 2006. O contrato do lote 3 se estendeu e eu não sei se foi pago depois."

O depoimento faz parte de uma das petições de Fachin, que inclui a fala de outros executivos da Odebrecht que confirmam as propinas. O ministro pede que o caso seja encaminhado para a avaliação da Procuradoria da República em São Paulo, já que envolve pessoas que não teriam foro privilegiado no STF, com exceção de Serra, que é senador e deve ser investigado em um inquérito separado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Se a investigação sobre as irregularidades nas obras do Metrô for autorizada, ela será feita pelo Ministério Público Federal de São Paulo, que afirma que ainda não tem novidades concretas no momento sobre o caso.

A Secretaria dos Transportes Metropolitanos, responsável pelo Metrô, diz que a empresa tem "rígidos controles sobre seus contratos". "A empresa mantém firme compromisso com a sociedade para oferecer serviços cada vez melhores e processos de contratação permanentemente transparentes", ressaltou, em nota. "Todos os contratos de todos os lotes e todos os aditivos da linha 2 foram julgados regulares pelo Tribunal de Contas do Estado."

O TCE, por sua vez, diz que reitera sua "disposição de prestar todas as informações que se fizerem necessárias para o esclarecimento de quaisquer fatos". "O TCE determinou o levantamento da situação de todos os processos referentes aos contratos citados. O relatório com essas informações estará disponível, de forma transparente, a todas as autoridades competentes e a quem possa interessar.", ressaltou o órgão, também em nota. O ex-deputado Rodrigo Garcia, atual Secretário da Habitação do Governo de Geraldo Alckmin, afirma que a delação é um "relato mentiroso e falso", "uma suposta citação de uma terceira pessoa (e não do delator), que foi negada por essa pessoa. "Jamais solicitei, ou autorizei que solicitassem em meu nome, recursos irregulares", disse ele, por meio de uma nota.


O Conversa Afiada reproduz reportagem de Talita Bedinelli no El País:







18 abril 2017

ODEBRECHT DIZ TER DADO PROPINA MILIONÁRIA A AÉCIO E DETONA CAPITAL POLÍTICO DO TUCANO

    17 de abril de 2017                     O senador Aécio Neves (PSDB-MG). JOEDSON ALVES EFE 


Senador é alvo de cinco inquéritos por recebimento de propinas, caixa 2, e favorecimento de empresas


A profecia do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado de que o senador Aécio Neves (PSDB-MG) seria “o primeiro a ser comido” caso a Operação Lava Jato avançasse parece se confirmar. A abertura das delações dos executivos da Odebrecht revela grandes esqueletos no armário do tucano, que há três anos afirmava que “o PT despreza a ética e é complacente com a corrupção”. No total o ministro do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin solicitou a abertura de cinco inquéritos para investigar Aécio por caixa 2, lavagem de dinheiro, cartelização e fraude. O caso mais antigo envolvendo o parlamentar data de 2007: dois delatores, Benedicto Barbosa da Silva Júnior, ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura, e Sérgio Luiz Neves, superintendente da empreiteira em Minas, afirmaram que o tucano recebeu propina de 3% de empreiteiras que ergueram a Cidade Administrativa, a sede do Governo de Minas Gerais, inaugurada em 2010. Os valores entregues superam 5,2 milhões


Com arquitetura assinada por Oscar Niemeyer, o prédio foi construído por um grupo de nove construtoras – entre elas Odebrecht, Andrade Gutierrez e Queiroz Galvão, todas envolvidas no esquema de corrupção da Petrobras. Segundo os delatores, com o apoio de Aécio, recém-empossado no Governo, foi acertado durante reunião no Palácio das Mangabeiras um esquema fraudulento de licitações envolvendo várias empresas para que a obra fosse partilhada entre elas. “Aécio me informou que iria dar início ao processo de licitação (...), e me disse que procurasse Oswaldo Borges, presidente da Codemig [Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais]”, afirma Benedicto.

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A participação da Odebrecht na obra foi confirmada antes mesmo do início da licitação. De acordo com o delator, após as conversas “Oswaldo disse que nos preparássemos para pagar 3% sobre o valor relativo ao nosso contrato a título de contribuição para futuras eleições do PSDB”. O pagamento, parcelado entre 2007 e 2009, foi feito em espécie pelo departamento de Operações Estruturadas da Odebrecht, conhecido como setor de propinas, via caixa 2. Nas listas da empreiteira Aécio foi apelidado de Mineirinho. Procuradores ligados à investigação afirmam que este tipo de acerto, que inclui porcentagem sobre obras, é um dos tipos mais evidentes de corrupção, não podendo ser justificado como apenas doação eleitoral não declarada.


50 milhões no exterior

Um outro inquérito aberto investigará pagamentos a Aécio Neves feitos em 2008  que, segundo os delatores, foi dado em troca de apoio do tucano à participação da Odebrecht nas obras das hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, ambas em Porto Velho. O delator Henrique Valladares detalha o acerto: 

“Na saída do encontro [com Aécio], o governador me disse: 

‘Henrique, o Dimas [ex-diretor da hidrelétrica Furnas, instalada em Minas Gerais, e interlocutor do tucano], nosso amigo em comum, ele vai lhe cobrar”, afirma. 

Posteriormente Valladares diz que Marcelo Odebrecht disse que “tinha acertado com o governador um valor de 50 milhões a serem pagos”. Em contrapartida, Aécio se comprometeria a defender os interesses da empresa. O valor era repassado ao tucano “em pagamentos feitos em contas no exterior”.


O relato de Valladares vem confirmar parcialmente a informação que a revista Veja antecipou numa reportagem de capa no início deste mês. A Veja citava a irmã, Andrea, como dona de uma conta no exterior para onde seguira o dinheiro. Na ocasião, Aécio se mostrou indignado, e chegou a subir à tribuna pedindo para desmascarar as mentiras dos delatores com o fim do sigilo. Andréa também gravou um vídeo negando o conteúdo e chegou a chorar dizendo que tudo era mentira.

Caixa 2 para Aécio e Anastasia

Outros três inquéritos abertos pelo ministro Fachin apuram doações eleitorais por caixa 2 tanto para sua campanha para presidente, em 2014, como para seu afilhado, Antonio Anastasia, que concorreu ao Governo de Minas em 2010, e a senador, em 2014. No depoimento de Marcelo Odebrecht, herdeiro do império da construção e colaborador da Justiça, o empresário conta que, ao todo, "montantes relevantes" da ordem de “pelo menos 50 milhões”, foram destinados a Aécio, em doações legais e caixa 2. Para realizar parte dos pagamentos foram usados contratos fictícios entre a empreiteira e a empresa de publicidade PVR, de propriedade de Paulo Vasconcelos do Rosário, marqueteiro de Aécio - e também alvo de dois inquéritos. Anastasia chegou a ser alvo da Lava Jato em 2015, mas em 2016 o Supremo arquivou o caso. Na lista de Fachin, ele volta à mira da Justiça com os detalhes revelados pela Odebrecht.

Benedicto Barbosa afirma que o senador pediu o dinheiro pessoalmente: “Entre março e abril de 2014 fomos procurados pelo Aécio Neves, que pediu que eu programasse uma ajuda de campanha na forma de caixa 2 para um grupo de candidatos que fazia da base que ele liderava”. Mais de 6 milhões de reais foram pagos. Em contrapartida, a Odebrecht passou a ter acesso mais facilitado ao tucano. 

"Enxergávamos que isso ia garantir uma fluidez na relação, para que pudéssemos discutir assuntos de nossos interesses e ter mais facilidade para marcar reuniões com ele", disse o delator. "Toda vez que eu ou o Marcelo queríamos ser recebidos nós conseguíamos, nunca ficava para a semana que vem", conclui.



 As acusações contra Aécio são graves e chegam como uma bomba atômica sobre seu capital político. Compromete não só sua ambição de concorrer ao Planalto pelo seu partido, mas as chances para qualquer cargo eleitoral nas eleições do ano que vem. A depender da velocidade dos processos, ele corre o risco de perder foro caso não consiga um cargo eletivo em 2018.

Longa data

A relação do tucano com a empreiteira é antiga, “do início dos anos 2000”, de acordo com Marcelo Odebrecht. Ao longo dos anos os dois tornaram-se próximos, a ponto de, na véspera do primeiro turno das eleições presidenciais de 2014, Aécio pedir um apoio extra à sua campanha. “Ele precisava de um fôlego, estava crescendo nas pesquisas. Aí ele disse que sabia que já tínhamos ajudado [com doações], mas que precisava [de mais]”, diz o empreiteiro. Neste ponto da corrida eleitoral, o senador já havia recebido cinco milhões de reais. “Eu disse que não podia doar mais para ele e não [doar mais] para a Dilma. Aí falei que podíamos apoiar alguns candidatos que ele indicasse, como o Agripino Maia [político do DEM do Rio Grande do Norte, que disputava o Senado]”, explica o delator.

Um dos aliados ajudados pela Odebrecht para favorecer Aécio teria sido o pastor Everaldo, que concorreu à presidência pelo Partido Social Cristão (PSC) em 2014. 

Segundo o ex-presidente da Odebrecht Ambiental Fernando Reis, foram pagos um total de 6 milhões de reais em caixa 2. 

Visto inicialmente como um candidato competitivo, Everaldo murchou na corrida eleitoral quando Marina Silva assumiu a candidatura do PSB depois da morte de Eduardo Campos, e atraiu todos os votos evangélicos. “Sugerimos então a ele que usasse os tempos do debate [presidenciais na televisão]sempre para fazer perguntas ao Aécio para que ele tivesse mais tempo [para se expor]. Everaldo parece ter cumprido com o acordo, uma vez que em todos os debates que podia fazia perguntas inofensivas ao então candidato tucano.

Influência tucana no setor elétrico

Marcelo também confirma em seus depoimentos a dominância do PSDB no setor elétrico do Estado de Minas Gerais, e conta como Aécio foi um aliado para balancear a influência de outras empreiteiras no mercado de obras públicas. À época o tucano era deputado federal: “No início do Governo Lula, o PSDB – não apenas o Aécio – tinha uma forte influência no setor elétrico. Furnas [Furnas Centrais Elétricas S.A] continuava sob controle deles”, afirma Marcelo. Além disso, a Companhia Energética de Minas Gerais S.A.(Cemig) também era “controlada” pelo partido. Mas a Companhia estava sob influência de outra construtora, a Andrade Gutierrez. “A Andrade se valia da influência que ela tinha na Cemig para complicar nossa vida, e a Cemig era um investidor importante, que tentava sempre levar a Andrade nos projetos. A gente usava o Aécio para contrabalancear”, diz Marcelo.

Em nota o senador negou ter oferecido qualquer contrapartida nas doações eleitorais que recebeu, e afirmou que não houve ato ilícito envolvendo a Cidade Administrativa. Ainda de acordo com a nota, não é possível que tenha havido interferência no caso das hidrelétricas uma vez que as licitações foram conduzidas pelo Governo federal, ocupado na época pelo PT. Anastasia também negou a participação em qualquer ato ilícito.



Fonte: Gil Alessi e Carla Jiménez        EL PAÍS  -  OPERAÇÃO LAVA JATO