23 novembro 2020

RACHADINHA: MÁRCIA AGUIAR, ESPOSA DE QUEIROZ, RECEBEU MAIS DE R$ 1 MILHÃO EM RECURSOS DESVIADOS DA ALERJ

 Márcia Aguiar e Fabrício Queiroz (Foto: Reprodução)

23 de novembro de 2020

 

Segundo denúncia do Ministério Público, Márcia Aguiar atuava como parte do núcleo executivo da organização criminosa comandada pelo atual senador Flávio Bolsonaro

 

247 - O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) apresentou denúncia à Justiça na qual afirma que Márcia Aguiar, esposa de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, recebeu R$ 1,1 milhão em recursos desviados da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) por meio de esquema de rachadinha no gabinete do então deputado estadual Flávio.

Segundo a CNN, a denúncia dá conta de que Márcia integrava um corpo de 12 funcionários fantasmas do gabinete de Flávio Bolsonaro. Mais de R$ 868 mil administrados por Marcia, cerca de 75% do dinheiro que recebeu da Alerj, foram utilizados para alimentar a organização criminosa do parlamentar.

Segundo o MP, Marcia atuava como parte do núcleo executivo da organização criminosa. 

A defesa de Márcia Aguiar e de Queiroz afirmou “que é inverídica a acusação de desvio de valores na Alerj”, dizendo ainda que “Márcia sempre exerceu com rigor as atribuições legais dos cargos que ocupou”. Os advogados de Flávio Bolsonaro não se pronunciaram.

Em 14 de agosto, Márcia e Queiroz tiveram prisão decretada, decisão que foi revogada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, que mandou o casal para o regime de prisão domiciliar. Em 2 de setembro a Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu a volta de ambos para a cadeia.

 

Fonte: Brasil 247  por CNN














22 novembro 2020

BOLSONARO E O CORPO ESTENDIDO NUMA POÇA DE SANGUE

(Foto: Divulgação)

22 de novembro de 2020


Mesmo sabendo que nunca se deve esperar uma reação decente por parte Jair Bolsonaro, a resposta presidencial diante assassinato de João Alberto Siqueira Freitas supera qualquer expectativa. 

 

Longe de demonstrar empatia -- mesmo protocolar -- pelo sofrimento de um cidadão massacrado em praça pública, asfixiado numa poça de sangue por um grupo covarde de seguranças, Bolsonaro aproveitou a oportunidade para criticar e ameaçar brasileiros e brasileiras que foram as ruas manifestar sua indignação.   

"Não nos deixemos ser manipulados por grupos políticos", escreveu, como se os protestos contra o crime de Porto Alegre fossem parte de uma operação oculta contra o grupo Carrefour, um dos maiores do mundo. 

"Não existe cor da pele melhor do que as outras", acrescentou Bolsonaro, sugerindo que uma reação de indignação pudesse confundir-se com a defesa de qualquer tipo de privilégio. 

Tentando perfilar-se em torno do já esfarrapado mito da democracia racial, um dos pilares ideológicos da desigualdade brasileira, Bolsonaro ensaiou uma argumentação que combina a Casa Grande de Gilberto Freyre com o individualismo agravado pelos tempos de neoliberalismo de Paulo Guedes:  

- Como homem e como Presidente, sou daltônico: todos têm a mesma cor. Não existe uma cor de pele melhor do que as outras. Existem homens bons e homens maus. São nossas escolhas e valores que fazem a diferença.

Num país onde pretos e pardos -- 53% da população -- constituem 75% dos mortos em ações policiais, é obvio que o Estado que Bolsonaro preside não é daltônico, a começar pelas forças policiais, cultivadas com grandes mordomias e muito pão-de-ló, num tratamento de quem tenta garantir a sobrevivência a frente do Estado de qualquer maneira. 

Novo ponto de resistência contra uma situação geral de opressão e perda de direitos, o corpo estendido numa poça de sangue em frente ao Carrefour é parte da luta contra o racismo, contra o governo Bolsonaro.

Alguma dúvida?



Fonte:  Brasil 247   por  Paulo Moreira Leite














 


20 novembro 2020

VEJA LOCALIZA ESCONDERIJO DA MÃE DE ADRIANO DA NÓBREGA E COLOCA PRESSÃO SOBRE O CLÃ BOLSONARO

Adriano Magalhães da Nóbrega, Flávio Bolsonaro e Fabricio Queiroz (Foto: Reprodução | Ag. Senado)

20 de novembro de 2020


Mãe do ex-capitão do Bope Adriano da Nóbrega, miliciano morto em operação policial, Raimunda Veras Magalhães, 70 anos, vive em Astolfo Dutra, no interior de Minas. O MP-RJ a considera testemunha-chave para revelar detalhes de um esquema que abasteceu a conta de funcionários fantasmas na Alerj, onde Flávio Bolsonaro cumpria mandato antes de ser eleito para o Senado

 

247 - Mãe do ex-capitão do Bope Adriano da Nóbrega, miliciano morto em fevereiro deste ano em operação policial na Bahia, Raimunda Veras Magalhães, 70 anos, vive na cidade de Astolfo Dutra, no interior de Minas Gerais. A informação foi publicada por Veja. Promotores consideram-na testemunha-chave para revelar detalhes de um esquema que abasteceu a conta de funcionários fantasmas, como ela mesma. O dinheiro tinha outros destinos. Tanto ela como a ex-mulher do policial trabalharam para o gabinete de Flávio Bolsonaro (Republicanos) quando o atual senador ocupava uma cadeira na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

Suspeito de envolvimento com o assassinato da ex-vereadora Marielle Franco (PSOL), o miliciano teria deixado algo em torno R$ 10 milhões em patrimônio para a mãe. Ele era dono de fazendas, casas, apartamentos, cavalos de raça, empresas, tudo em nome de laranjas. Dona Vera contribuiu com um depósito para a compra de uma das fazendas, no Tocantins. Também é sócia de três restaurantes na Zona Norte carioca. Em um deles, o filho tinha participação oficialmente.

O MP chegou a tentar notificar Raimunda batendo à porta de uma filha, que não revelou onde estava a mãe. Para saber o seu local de moradia, investigadores rastrearam o celular de Márcia Aguiar, mulher de Fabrício Queiroz, o ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos).

Em dezembro de 2019, Márcia foi ao encontro de Raimunda, junto com o advogado Luis Gustavo Botto Maia. A ideia era fazer um plano de fuga para a família Queiroz. "Não tenho nada para dizer. Perdi meu menino e não quero mais papo com ninguém", esquivou-se ela ao encontrar a reportagem de Veja. 

Alguns vizinhos definem Dona Vera como "arquivo vivo". "A gente tem medo que venha alguém aqui, saia metralhando e acabe sobrando para quem estiver por perto", afirmou um deles. 

De acordo com o MP, com base no rastreamento de seu celular, que ela não ia ao emprego. Era "assessora fantasma", o que é negado pela defesa. 

Sua defesa sustenta que isso não procede, já que Raimunda sempre trocava de celular por recomendação do filho.


Flávio Bolsonaro e Queiroz


Queiroz foi preso no dia 18 de junho em Atibaia (SP), onde estava escondido em um imóvel que pertence a Frederick Wassef, então advogado de Flávio - depois ele deixou a defesa do parlamentar. Segundo relatório do antigo Conselho de Atividades Financeiras (Coaf), Queiroz fez movimentações financeiras atípicas. Foram R$ 7 milhões de 2014 a 2017, apontaram cálculos do órgão. 

 

Fonte: Brasil 247  por Veja

 


















19 novembro 2020

INVASORES DE TERRA INDÍGENA CERCAM BASE E AMEAÇAM FISCAIS DO IBAMA NO PARÁ

Grupo de invasores cerca base de operações do Ibama e da Funai dentro da Terra Indígena Apyterewa, no Pará – Reprodução



Fiscais, que combatiam desmate na região, sofreram emboscada, com tiros para o alto e ponte incendiada

 

Um grupo de invasores da Terra Indígena Apyterewa, no sul do Pará, cercou uma base de fiscalização utilizada por equipes do Ibama, Funai e Força Nacional. Vídeos mostram um grupo de homens hostilizando a equipe de fiscalização e incendiando uma ponte de madeira que dá acesso à terra indígena.

No início da tarde desta quinta-feira (19), o juiz federal de Redenção (PA) Francisco Antonio de Moura Junior acolheu pedido do MPF (Ministério Público Federal) e ordenou a retirada do bloqueio no entorno da base e uma multa de R$ 20 mil por hora em caso de descumprimento. Ele requisitou apoio da Polícia Militar e da Polícia Federal do Pará.

O juiz escreveu que "a existência da turbação resta devidamente comprovada" e os indícios mostram que a base "é objeto de turbação ou ameaça de turbação, [...] com iminente possibilidade de ser esbulhada".

Uma barricada com pneus e madeira foi feita na frente da base e os invasores ameaçam fazer um incêndio para impedir que os fiscais continuem seu trabalho. A coluna apurou que foi solicitado a Brasília um reforço urgente da Força Nacional. O clima é de tensão e os servidores públicos temem pela sua segurança física.

O UOL apurou que os servidores estão impedidos de entrar e sair da base, e não podem mais receber mantimentos e combustíveis, um quadro que evoluiu "de obstrução da fiscalização para cárcere privado", segundo servidores que pediram para não ter os nomes divulgados.

A equipe está na região para reprimir desmatamentos dentro da terra indígena. Na vizinha Terra Indígena Trincheira-Bacajá, os fiscais conseguiram conter os focos de desmate. Na terça-feira (17), contudo, a equipe passou a receber ameaças de que a base será invadida e os carros da fiscalização serão queimados.

Ao tentar passar por uma ponte, os fiscais sofreram "uma emboscada", com tiros para o alto, possivelmente de espingardas, e os invasores incendiaram a ponte e serraram um dos pilares. A equipe teve que retornar à base.

O cerco ocorre na frente da base São Francisco, que integra o plano de proteção territorial da empresa Norte Energia como parte das condicionantes para a obra da hidrelétrica de Belo Monte, e atualmente é cedida ao Ibama.

OCUPAÇÃO ILEGAL REÚNE CERCA DE 1.500 PESSOAS NA REGIÃO

"Vocês tá trabalhando pro Lula ainda, é? O Lula já foi, rapaz", diz um morador à equipe do Ibama, conforme registrado em vídeo. Um policial armado se aproxima e pede para as pessoas se afastarem, mas não é atendido. "Não vamos recuar, não. Eu sou trabalhador", diz um dos manifestantes. Um outro vídeo mostra invasores dizendo que vão erguer um barraco na frente da base.

A Terra Indígena Apyterewa, no município de São Félix do Xingu (PA), fica a cerca de 1.000 km de Belém (PA). Reconhecida como território tradicional dos índios parakanãs desde 1982, é hoje ocupada ilegalmente por mais de 1.500 não indígenas, segundo estimativas.

A retirada dos invasores era uma condicionante judicial para que a União obtivesse a licença ambiental de construção da usina hidrelétrica de Belo Monte.

A usina foi inaugurada pela então presidente Dilma Rousseff (PT) em 2016, mas a retirada dos invasores nunca foi cumprida integralmente. O governo de Michel Temer (2016-2018) iniciou mas depois abandonou o plano de retirada.

GRUPO DE INVASORES APELA A DAMARES E AO PRESIDENTE BOLSONARO

A partir de janeiro do ano passado, segundo os indígenas, a ocupação ilegal recrudesceu porque os invasores viram no governo de Jair Bolsonaro uma oportunidade de tentar rever a demarcação do território, de 770 mil hectares.

O advogado e procurador do município de São Félix do Xingu (PA), Igor Franco, que defende o que ele considera "3.000 famílias de produtores rurais" que ocupam a terra indígena, disse que "nós estamos em contato com ministra Damares [Mulher, Família e Direitos Humanos] para relatar os acontecimentos e buscando apoio do presidente da República [Jair Bolsonaro] para ver o que ele pode ajudar".

O advogado afirmou que "os ânimos estão exaltados e o governo precisa olhar pelo lado dos direitos humanos". Ele disse que "o pessoal do Ibama está chegando juntamente com a Força Nacional batendo no povo, queimando as casas, teve uma casa queimada com um cachorro dentro".

"Os produtores rurais são pessoas de bem que querem a paz acima de tudo", disse Franco. Nos vídeos enviados à coluna pelo advogado, contudo, não aparece nenhuma agressão física dos fiscais do Ibama contra os moradores nem casas sendo queimadas com animais dentro.

INDÍGENAS AFIRMAM NÃO TER SIDO INFORMADOS SOBRE DECISÃO DO STF QUE AFETA TERRAS

A posição dos não indígenas que ocupam ilegalmente a terra indígena ganhou mais força no último mês de maio, quando o ministro do STF Gilmar Mendes acolheu um pedido da prefeitura de São Félix do Xingu sobre uma suposta "conciliação" entre indígenas e invasores. Um mandado de segurança tramitava no tribunal desde 2007 e os limites atuais da demarcação já haviam sido reconhecidos em diversas outras decisões judiciais.

Porém, agora no governo Bolsonaro, com apoio decisivo da AGU (Advocacia Geral da União), as famílias de invasores e a prefeitura obtiveram a decisão favorável de Mendes, que autorizou o envio do processo para um certo "núcleo de conciliação" —não explicou qual núcleo, mas seria uma referência a um setor da AGU—, informando que há "predisposição dos entes públicos litigantes para uma provável conciliação".

Mendes mandou intimar a União. Com a decisão, ficou adiado o julgamento do processo, que chegara a ser marcado para ocorrer virtualmente no STF no dia 24 de abril.

Os indígenas não são parte do processo e só descobriram a decisão casualmente, porque indigenistas monitoram a movimentação dos processos no STF que afetam direitos dos índios. Em carta aberta divulgada em junho, os parakanãs repudiaram a decisão do STF e disseram que "atos de conciliação" são "redução da terra indígena, atendendo os interesses de não indígenas que vêm invadindo, desmatando e garimpando ilegalmente o território". Procurada para falar sobre a tensão registrado na terra indígena, a Funai respondeu: "Recomendamos entrar em contato com o Ibama, que é responsável pela operação".

A Secretaria de Comunicação da Presidência informou que "este assunto é de competência do Ministério da Justiça e Segurança Pública, órgão responsável pela Funai".

O ministério de Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos) também afirmou que "o tema é tratado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, órgão responsável pela Funai. Por favor, envie a demanda para a assessoria de comunicação daquele órgão".

O Ibama informou que sua atividade na terra indígena está ligada ao cumprimento de uma decisão judicial, mas outros detalhes não foram divulgados.

A Vice-Presidência, ocupada pelo general Hamilton Mourão, que coordena o CNAL (Conselho Nacional da Amazônia Legal), disse que "a Vice-Presidência está acompanhando a questão. Os planejamentos e ações a serem adotados estão a cargo dos Ministérios competentes".

Procurado desde o final da manhã, o Ministério da Justiça e da Segurança Pública não havia se manifestado até o fechamento deste texto.

 

 

Fonte: A Folha de S. Paulo  por  Rubens Valente

 

 

 













PF PÕE ‘KM LIVRE’ NO ENCALÇO DE EX-DEPUTADO POR FRAUDES E LAVAGEM E ENCONTRA CAIXA DE TELEVISÃO COM R$ 1,9 MILHÃO EM MAÇOS DE DINHEIRO NO CEARÁ

 

Operação Km livre 2. Foto: Polícia Federal

19 de novembro de 2020


Operação deflagrada nesta quinta-feira, 19, põe Adail Carneiro sob suspeita em investigação que mira fraudes na contratação de serviços de locação de veículos e motocicletas, com desvio de recursos públicos, fraudes em licitações e lavagem de dinheiro

 

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quinta, 19, a segunda fase da Operação KM livre, que investiga fraudes na contratação de serviços de locação de veículos e motocicletas, com desvio de recursos públicos, fraudes em licitações e lavagem de dinheiro.

Entre os alvos da ofensiva está o ex-deputado Adail Carneiro, sendo que na primeira fase da operação, aberta em 2016, a PF apreendeu quase R$ 6 milhões em dinheiro vivo no cofre de uma empresa ligada ao então parlamentar.


Durante o cumprimento de um dos mandados de busca e apreensão executados nesta manhã, os policiais flagraram grande quantidade de dinheiro em espécie escondida em uma caixa de televisão, com suspeita de lavagem de dinheiro, na sede de uma das empresas investigadas, no bairro de Fátima, em Fortaleza. Contagem feita pela PF indicou que havia R$ 1.988.635,00 escondidos na caixa de papelão.

Ao todo, os agentes da PF fazem buscas em 27 endereços de Fortaleza, Russas, Caucaia (CE), Mossoró (RN) e Rio de Janeiro (RJ). Em diligência no bairro do Leblon, no Rio, os agentes apreenderam valores em libras e euros.


Operação Km livre 2. Foto: Polícia Federal

Segundo os investigadores, há ‘fortes evidências de lavagem de dinheiro ilícito por meio da aquisição clandestina de corretoras valores e de sociedades em conta de participação do ramo de energia eólica, com a ajuda estratégica de operadores do mercado financeiro’.

A PF diz que a segunda fase da KM livre mira a atuação de agentes públicos nos crimes investigados.

A partir dos valores e objetos apreendidos na primeira fase da ofensiva, a corporação identificou a atuação da organização criminosa na criação de empresas com participação de ‘laranjas’, além de indícios de fraudes em licitações, desvios de recursos públicos e lavagem de dinheiro com aquisição de imóveis, empresas e transações no mercado financeiro.

Ainda segundo a PF, a organização criminosa investigada atua há cerca de vinte anos e, desde então, ‘tem obtido consecutivos e progressivos êxitos nas empreitadas criminosas objeto de investigação’.

Operação Km livre 2. Foto: Polícia Federal


Operação Km livre 2. Foto: Polícia Federal


Operação Km livre 2. Foto: Polícia Federal


 Operação Km livre 2. Foto: Polícia Federal

Operação Km livre 2. Foto: Polícia Federal

Operação Km livre 2. Foto: Polícia Federal


COM A PALAVRA, O EX-DEPUTADO 


A reportagem busca contato com o ex-deputado Adail Carneiro. O espaço está aberto para manifestações.

 


Fonte: O Estado de S. Paulo   por Pepita Ortega e Fausto Macedo
















18 novembro 2020

PROMOTORIA EM SÃO PAULO PRENDE OITO ADVOGADOS E LÍDER NACIONAL DE ‘CÉLULA JURÍDICA’ DO PCC

Sede do Ministério Público de São Paulo. FOTO: MPSP

18 de novembro de 2020


Deflagrada nesta quarta-feira 18, Operação Fast Track, capitaneada pelos promotores do Gaeco, cumpre 23 mandados de busca e apreensão e 13 mandados de prisão em Rondônia, Distrito Federal, Rio Grande do Norte e São Paulo

 

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público de São Paulo deflagrou nesta quarta, 18, a Operação Fast Track, visando desarticular a célula jurídica do Primeiro Comando da Capital, o PCC. Segundo a Promotoria, agentes fazem 23 buscas e cumprem 13 mandados de prisão, sendo que entre os alvos da ofensiva está ‘Amani’, que assumiu o comando nacional de célula da facção batizada como ‘Setor do Universo’.

“Com o emprego de recursos oriundos de crimes perpetrados pela facção, notadamente o tráfico de drogas, Armani contratou advogados com atuação em diversas regiões do território nacional, com a finalidade precípua de permitir que os chefes do PCC, presos, continuassem a se comunicar com integrantes da facção em liberdade. Por meio de atendimentos presenciais, os advogados contratados levavam informações aos líderes e recebiam ordens que deveriam ser transmitidas a outros criminosos”, informou o MP-SP em nota.

A operação foi aberta por ordem do juiz Ulisses Augusto Pascolati Júnior, da 2ª Vara Especializada em Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores conta com apoio da Polícia Militar do Estado de São Paulo (1º Batalhão de Choque – Rota – e 4º Batalhão de Choque – Bope) e do Departamento Penitenciário Nacional (Depen). A ofensiva cumpre mandados em Rondônia, Distrito Federal (Brasília), Rio Grande do Norte (Mossoró) e em São Paulo – em diversos municípios.

Segundo os investigadores, ‘Armani’ recebeu ‘poderes’ da ‘Sintonia Final’ do PCC para assumir o controle do ‘Setor do Universo’ após a cúpula da facção ser transferida o sistema penitenciário federal e distribuída entre as penitenciárias de Porto Velho (RO), Brasília (DF) e Mossoró (RN), no dia 13 de fevereiro de 2019. A Promotoria lembrou que a transferência tinha como objetivo impedir que os chefes do PCC continuassem a transmitir ordens de dentro dos presídios.

Os investigadores citaram o exemplo de um traficante da Baixada Santista, que, surpreendido pela operação de transferência, nomeou sucessores com apoio de uma advogada, que atuou como mensageira. Segundo o MP-SP, as apurações sobre tais tratativas deram origem à Operação Colorido, também deflagrada nesta quarta, 18.

“Os defensores ainda intermediavam o pagamento de propinas para policiais, transmitiam cobranças de dívidas e até ameaças de morte a mando da organização criminosa. Não raro, os próprios advogados se envolviam em disputas que eram solucionadas pelo sistema de disciplina da facção, mediante o exercício de poderes de decisão por Armani, indicando inserção na estrutura hierárquico-piramidal do PCC”, detalhou a Promotoria.

No ‘Setor do Universo’, ‘Armani’ tinha ainda a responsabilidade de custear tratamentos médicos milionários para os membros de cúpula do PCC, diz o Ministério Público paulista. Os promotores identificaram que ele autorizou pagamentos de R$ 72 mil em razão de um problema oftalmológico apresentado por um dos líderes da organização.

A célula da facção também providenciava estadia e casas de apoio para familiares de presos nas penitenciárias federais.

PCC assumiu posse de dezenas de imóveis do CDHU e da Cohab, diz Promotoria

O Ministério Público de São Paulo informou ainda que identificou que o PCC ‘assumiu a posse e a propriedade’ de dezenas de imóveis vinculados à Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) e à Companhia Metropolitana de Habitação de São Paulo (Cohab), sendo que os apartamentos eram destinados exclusivamente a familiares de presos ou egressos que sejam filiados à facção.

O Gaeco identificou, ainda, uma célula da facção denominada “Setor CDHU” ou “Setor dos APs”.

Segundo os investigadores, os imóveis ‘estimulam novos recrutamentos e garantem a perpetuação do vínculo entre o integrante da facção e o Primeiro Comando da Capital’. Nas palavras da promotoria, o a célula da facção denominada ‘Setor CDHU’ ou ‘Setor dos APs’ tinha como objetivo ‘garantir a permanência da estrutura criminosa da base do PCC’.

“Criminosos que detinham a função de gerir os apartamentos atuavam ativamente na busca por novas unidades e, identificando-se um apartamento vazio, este era imediatamente ocupado, até que o PCC buscasse meios de associá-lo a um terceiro, que funcionaria como laranja. Síndicos de unidades do CDHU espalhadas por todo o Estado auxiliavam a organização criminosa na localização e na aquisição de imóveis. Em diálogos interceptados, foram captadas diretrizes específicas para que se impedisse a ocupação de apartamentos por ‘famílias necessitadas’, especialmente com crianças. No diagnóstico da facção, ‘se família entrar com criança, não sai mais’, motivo pelo qual as investidas dos integrantes da célula deveriam ser sempre rápidas”, apontou o MP-SP em nota.

 


Fonte: O Estado de S. Paulo

 

 

 










MP DO RIO: DESCUIDO DE QUEIROZ DEIXOU ‘VESTÍGIOS CONCRETOS’ DO USO DE VERBA PÚBLICA PARA QUITAR COBERTURA DE FLÁVIO

Flávio Bolsonaro e Fabrício Queiroz (Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino | Divulgação)

18 de novembro de 2020


De acordo com o MP-RJ, foram sacados R$ 25 mil da conta de Fabrício Queiroz para a de Fernanda, esposa de Flávio Bolsonaro, num esquema de desvios de dinheiro da Assembleia Legislativa do Rio. Queiroz, disse o órgão, materializou "nos registros bancários vestígios concretos da destinação final dos valores desviados da Alerj". A ideia era quitar um imóvel do senador


247 - O Ministério Público do Rio (MP-RJ) vê um "descuido" do ex-assessor Fabrício Queiroz como umas provas do órgão para apontar o uso de dinheiro desviado da Assembleia Legislativa (Alerj) no pagamento de uma cobertura adquirida pelo senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), em 2011. Uma transação foi feita na conta da mulher do parlamentar, Fernanda, e tentou dar uma aparência de legalidade a depósitos fracionados às vésperas dos vencimentos do imóvel. Uma das transações investigadas foi a compra de uma cobertura em Laranjeiras, na zona sul do Rio, por R$ 2,2 milhões naquele mesmo ano, de acordo com informações publicadas pelo blog do Fausto Macedo

Deputado estadual antes de ser eleito senador, Flávio Bolsonaro e Queiroz foram denunciados este mês pelo MP-RJ por peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Fernanda também foi denunciada (lavagem de dinheiro).

Em agosto de 2011, o casal precisaria desembolsar R$ 110 mil para quitar o sinal do imóvel, uma garantia de compra. Mas a conta dos Bolsonaro "não possuía lastro financeiro para custear a operação" informou o MP-RJ. Na véspera do pagamento, no entanto, um depósito de R$ 25 mil caiu na conta de Fernanda e, naquele momento, Queiroz cometeu um "descuido".



Segundo as investigações, o dinheiro teria sido sacado em espécie da conta do próprio Queiroz antes de ser depositado em nome de Fernanda. "Em razão do alto valor depositado, o denunciado Fabrício José Carlos de Queiroz teve que registrar seu próprio nome na agência bancária como responsável pelo depósito em espécie, materializando nos registros bancários vestígios concretos da destinação final dos valores desviados da Alerj", afirmou a Promotoria.

O MP-RJ informou que Flávio Bolsonaro desviou R$ 6 milhões em dinheiro público por meio do esquema rachadinha na Alerj. Eram feitos pagamentos de gastos da família com dinheiro em espécie. Outra forma de desviar dinheiro eram depósitos em espécie realizados nas contas bancárias do parlamentar e da esposa. Também faziam transações imobiliárias.



Fonte: Brasil 247     do  Blog do Fausto