31 março 2020

BOVESPA FECHA MARÇO COM QUEDA DE 30% E TEM PIOR TRIMESTRE DA HISTÓRIA

(Foto: Reuters)

31 de março de 2020




Onda de circuit breakers marcou um dos piores começos de ano da história da Bovespa. Dólar sobe 16% em março


O Ibovespa fechou em queda nesta terça-feira (31), consolidando uma baixa de 29,91% em março. No trimestre, o desempenho do principal índice acionário da B3 foi o pior de toda a história da Bolsa: uma retração de 36,86%, segundo dados da consultoria Economatica. Já o dólar subiu 15,92% em março.

Se for levada em consideração a cotação do dólar Ptax venda, a desvalorização do real no primeiro trimestre de 2020 foi de 28,98%, a terceira maior desde o Plano Real, conforme a Economatica.

Este período foi marcado por seis circuit breakers acionados desde que começaram as tensões por conta da pandemia de coronavírus.

Se a visão do final do ano passado de analistas de mercado parecia ser positiva para 2020, o começo do ano já foi de turbulência, após ataque dos Estados Unidos no Iraque matar o general Qassem Soleimani, principal comandante militar do Irã, fazendo escalar a tensão entre americanos e iranianos. Este foi apenas o primeiro “cisne negro” de 2020, em referência a eventos não esperados pelo mercado.

Logo depois, na segunda quinzena de janeiro, ganhou força e impacto entre os investidores a notícia sobre o novo coronavírus que, até então, era um fenômeno restrito à província de Wuhan.

Naquele momento, até então, o impacto era visto como algo um tanto distante, ainda mais por se tratar de uma doença a princípio menos letal, ainda que mais contagiosa, que a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS, na sigla em inglês), que atingiu o país entre 2002 e 2003 e levou a morte de 774 pessoas. Contudo, dada a importância do país dada a sua posição no ranking de economias globais, as bolsas já foram abaladas.

Porém, o novo coronavírus, que leva à enfermidade denominada Covid-19, teve uma velocidade impressionante e levou a mais mortes do que a SARS em pouco tempo, demorando apenas um mês para sair da China, enquanto a SARS demorou três meses.

A situação se agravou ainda mais quando ela chegou a outros países, tornando-se notoriamente letal na Itália e se espalhando por outros países como Espanha, França, Estados Unidos, este último se tornando o mais novo epicentro da enfermidade. O primeiro caso no Brasil aconteceu em 26 de fevereiro e, desde então, diversas medidas já foram tomadas para restringir a circulação de pessoas, o que levou a revisões drásticas de números para a economia brasileira, com expectativas de uma forte recessão.
O mercado nesta terça
Hoje, o Ibovespa voltou a cair seguindo as bolsas dos Estados Unidos em uma sessão volátil, com investidores atentos ao avanço do coronavírus no mundo e à expectativa por estímulos. O Dow Jones caiu 1,84% e registrou seu pior trimestre desde 1987.

Já são 800 mil casos globais de infecção pela Covid-19 e diversos países estão estendendo as medidas de quarentena e isolamento social. Por outro lado, esta terça-feira (31) foi dia de dados positivos da China, mostrando que a segunda maior economia do mundo já começou a se recuperar da crise provocada pela pandemia.

O Índice Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) da indústria ficou em 52 pontos em março, após ter afundado a 37.5 pontos em fevereiro, informa a CNN. A projeção da agência Reuters era de que cresceria a 45 pontos em março. O índice PMI composto, formado por indústria mais serviços, foi de 52,3 pontos, após ter afundado a 29,6 pontos em fevereiro.

O Ibovespa fechou em queda de 2,17%, aos 73.019 pontos com volume financeiro negociado de R$ 23,75 bilhões, recuando 36,9% desde o início do ano.

Enquanto isso, o dólar futuro para abril tem leve variação positiva de 0,07%, para R$ 5,199. O dólar comercial, por sua vez, registrou ganhos de 0,24%, cotado a R$ 5,1933 na compra e R$ 5,1944 na venda.

O câmbio chegou a virar para queda após o Federal Reserve informar que abriu uma linha de recompra para bancos centrais estrangeiros para apoiar o bom funcionamento dos mercados financeiros, porém já voltou a subir. Nos últimos dias, o Fed já havia elevado a frequência de leilões de operações de linhas de swap com outros bancos centrais.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 caiu 11 pontos-base a 4,06%, o DI para janeiro de 2023 teve alta de dois pontos-base a 5,40% e o DI para janeiro de 2025 avançou oito pontos-base a 6,85%.

Por aqui, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) mostrou um aumento no desemprego para 11,6% no trimestre até fevereiro, em linha com a expectativa mediana dos economistas de mercado compilada no consenso Bloomberg. O número de pessoas desempregadas é 12,3 milhões.

O aumento, na comparação com o trimestre terminado em novembro (11,2%), significa a interrupção de dois trimestres seguidos de quedas estatisticamente significativas no desemprego.

Do lado europeu, o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) da zona do euro subiu 0,7% na comparação anual de março, desacelerando fortemente em relação ao aumento de 1,2% observado em fevereiro em meio aos efeitos da pandemia de coronavírus, segundo dados preliminares divulgados hoje pela agência de estatísticas da União Europeia, a Eurostat. O resultado veio abaixo da expectativa de analistas consultados pelo The Wall Street Journal, que previam alta de 0,8%.

Nos Estados Unidos, o Secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, disse que o governo está disposto a pedir mais dinheiro ao Congresso se o pacote de US$ 2 trilhões já aprovado for insuficiente para conter os efeitos da pandemia sobre a economia.
Política 
Os ministros da Justiça, Sérgio Moro, e da Economia, Paulo Guedes, fizeram uma união nos bastidores em apoio ao ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e na defesa das medidas de distanciamento social e quarentena da população para combater o avanço do coronavírus.

Com o apoio de alguns militares, o trio formou um bloco antagônico ao presidente Jair Bolsonaro, contrário ao confinamento das pessoas e ao fechamento do comércio, segundo reportagem do jornal Folha de S. Paulo. Com o apoio de Moro e Guedes a Mandetta, o isolamento do presidente aumenta, porque o ministro da Saúde já tem o apoio do Legislativo e do Judiciário. A avaliação feita pelo ministro Moro a aliados é que o presidente está descontrolado e deixa aflorar sentimentos de raiva contra supostos inimigos.
Noticiário corporativo 
A Hypera Pharma comunicou que realizará emissões de debêntures no valor total de R$ 3,5 bilhões. A primeira emissão ocorrerá em 3 de abril, com os papéis da primeira série fazendo um montante de R$ 2,48 bilhões; a segunda emissão, em data não definida, deverá levantar o valor de R$ 1,015 bilhão. Na noite de ontem, perto do fim da temporada de balanços, a Mahle-Metal Leve e a construtora Even publicaram seus resultados de 2019. A Cogna (antiga Kroton) publica balanço na manhã de hoje.

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Fonte: Brasil 247  por  Ricardo Bomfim, do Infomoney




















30 março 2020

DO THE WASHINGTON POST A O GLOBO, IMPEACHMENT CONTRA BOLSANARO

30 de março de 2020





Em um mesmo dia, dois jornais conservadores, um do brasil e outro dos EUA, estamparam artigos em defesa da saída do presidente Jair Bolsanaro


Jornal GGN – “Enquanto o novo coronavírus se espalha no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro demonstrou uma incapacidade alarmante de governar o país, minando a pandemia e os esforços para proteger e salvar vidas. E como resultado de seu comportamento irresponsável e divisivo, ele jogou o Brasil em uma profunda crise. Ele deve ser removido do cargo”.
A frase introduz artigo publicado no The Washington Post que aponta para os riscos de Jair Bolsonaro, em seu discurso e medidas tomadas, na propagação do novo coronavírus no país.
“É claro que Bolsonaro abandonou seu dever de proteger a população. Ele acha que o vírus mortal é um truque da mídia. (…) A disseminação do coronavírus pode colapsar o sistema público de saúde no Brasil. Felizmente, profissionais da saúde e governos locais e estaduais estão se mobilizando para responder aos casos e pedindo às pessoas que fiquem em casa, desafiando abertamente um presidente que já pede um retorno à ‘normalidade’ e ao trabalho”, continua.
Assinado pela cientista social e antropóloga pela Universidade de Bath (Inglaterra) Rosana Pinheiro-Machado, o artigo no jornal estadunidense defende abertamente o impeachment de Jair Bolsonaro, apresentando não somente a defesa já exposta por membros do Congresso Nacional de sua retirada, como também os panelaços feitos pelos brasileiros durante semanas pedindo a saída do mandatário, medido inclusive por pesquisa do Atlas Político, que trouxe metade da população apoiando a sua queda.
“Além de qualquer cálculo político, permitir que Bolsonaro permaneça no poder é insustentável. Desde sua eleição, Bolsonaro liderou o Brasil seguindo uma cartilha fascista, atacando a imprensa e os povos indígenas, corroendo as proteções aos direitos humanos e oferecendo desculpas pela ditadura e tortura. Ele passou da quebra de decoro para abuso de poder e ataques contra a constituição. Sua má gestão do coronavírus só intensificou seus crimes de irresponsabilidade”, destacou a antropóloga.
Além de cartas de deputados, abaixo-assinados e pedidos recentes de lideranças políticas e governadores, a opinião de Rosana Pinheiro-Machado também foi compartilhada por editoriais da imprensa nos últimos dias. Bernardo Mello Franco, em coluna para O Globo, havia pedido o impeachment de Bolsonaro momentos antes do artigo do The Washington Post.
“Os desvarios de Jair Bolsonaro não cabem mais na esfera da política. Quando o presidente se torna uma ameaça à saúde pública, sabotando o esforço nacional contra a pandemia, seus atos devem ser submetidos aos tribunais”, havia dito o colunista, também neste domingo (29).
Para o articulista, o impeachment ainda seria pouco: “Quando a epidemia passar, a abertura de um processo de impeachment pode ser pouco para enquadrar o presidente. Se sua cruzada contra a vida prosperar, ele se candidatará a uma denúncia ao Tribunal Penal Internacional, que julga crimes contra a Humanidade.”


Fonte: Jornal GGN



















29 março 2020

BOLSONARO JÁ NÃO GOVERNA MAIS O BRASIL, DIZ LUIS NASSIF

Luis Nassif e Jair Bolsonaro
Luis Nassif e Jair Bolsonaro (Foto: Felipe L. Gonçalves/Brasil247 | ABR)
29 de março de 2020




"Os sinais de que Jair Bolsonaro não mais governa estão nítidos. É um fato que muda totalmente o jogo político", considera o jornalista Luis Nassif, enfatizando que Bolsonaro tem apenas dois instrumentos de exercício do poder: o acesso a rede nacional para pronunciamentos; e a rede de fake News do gabinete do ódio


247 - O jornalista Luiz Nassif, do site GGN, avalia que Jair Bolsonaro dá claras demonstrações de que não está mais no comando do país.

"Os sinais de que Jair Bolsonaro não mais governa estão nítidos. É um fato que muda totalmente o jogo político", considera o jornalista em sua coluna deste domingo (29).

Entre os elementos que sustentam a tese, Nassif cita o poder militar. "No dia seguinte ao pronunciamento de Bolsonaro, conclamando o fim da quarentena, o comandante do Exército, general Edson Leal Pujol, falou para a tropa, recomendando a quarentena e enfatizando que respondia ao Ministro da Defesa e às autoridades da Saúde", enfatizou ele, reforçando que "tem-se o descontentamento do Alto Comando com Bolsonaro".

Nassif destaca ainda que Bolsonaro tem apenas dois instrumentos de exercício do poder de Presidente: o acesso a rede nacional para pronunciamentos; e a rede de fake News do gabinete do ódio.

"Fosse um grupo minimamente racional, os Bolsonaros recolheriam as armas e tentariam se recompor para um novo confronto mais adiante. Mas são toscos demais. 

Acuados, tenderão a dobrar a aposta. Haverá inevitavelmente o choque final, no qual os Bolsonaro tentarão envolver bases das Polícias Militares, os caminhoneiros ligados a ele (que não são maioria na classe) e mais grupos aliados, já esvaziados", conclui.
Confira a íntegra do artigo no site Jornal GGN


Fonte: Brasil 247  por  Luis Nassif no Jornal GGN
















28 março 2020

HELENO QUEBROU QUARENTENA POR 'ENGANO' E PODE TER INFECTADO PRESIDENTE, VICE E MAIS DA METADE DO MINISTÉRIO

General Augusto Heleno
General Augusto Heleno (Foto: Marcos Corrêa/PR)

28 de março de 2020




O nível de desorganização do governo é tal que o próprio ministro do GSI, General Heleno, violou a quarentena que lhe foi imposta por 'equívoco'. Heleno participou de reunião de três horas com presidente e vice-presidente, expondo o governo a um risco de apagão completo


247 - Infectado com o novo coronavírus, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, confessou que quebrou a quarentena antes da hora por um "engano". Heleno participou de uma reunião no Palácio do Planalto com o presidente Jair Bolsonaro, o vice, Hamilton Mourão, e com mais metade dos ministros.

A reportagem do jornal O Estado de S. Paulo destaca que "o ministro é um dos integrantes da comitiva brasileira que esteve em Miami entre 7 e 10 de março. Ao todo, 23 integrantes desta comitiva presidencial e outros brasileiros que se encontraram durante a viagem se infectaram com o novo coronavírus – Bolsonaro já fez dois testes que, segundo ele, deram negativo."

A matéria ainda informa que "em nota, Heleno disse que, após participar do encontro, na última quarta-feira, 25, por um período de três horas, foi alertado de que houve um engano e que ele deveria permanecer mais sete dias em isolamento na sua residência. Em fotos divulgadas pelo Planalto é possível ver que Heleno estava sem proteção e sentou ombro a ombro com colegas de ministério."


Fonte: Brasil 247  por  Jornal O Estado de S. Paulo





















27 março 2020

SEM QUARENTENA, MORTES NO BRASIL PODEM ULTRAPASSAR 1 MILHÃO, AFIRMA PESQUISA BRITÂNICA

Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro (Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino | Reprodução)

27 de março de 2020



Dependendo das medidas tomadas por Jair Bolsonaro, o número de mortes por coronavírus pode ser entre 44 mil pessoas a 1,15 milhões de brasileiros


247 - Uma equipe de cerca de 30 cientistas do Imperial College de Londres divulgou um estudo nesta quinta-feira, 26, afirmando que sem medidas de isolamento social, para reduzir a transmissão do coronavírus, pode haver até 1,15 milhões de mortes no Brasil.

Eles calcularam o número de infectados, pacientes graves e mortos em cinco cenários. O primeiro, é sem nenhuma intervenção do governo. Neste caso, afirma, que até 188 milhões podem ser infectados, levando a cerca de 6,2 milhões hospitalizados e 1,5 milhões necessitarão de UTI. 

Neste caso, o número de mortes é estimado em 1.152.283 de pessoas.

Em outro cenário, com proibição de eventos, redução da circulação e restrição de encontros, o número de mortos cai quase que pela metade, atingindo cerca de 627 mil brasileiros. 122 milhões serão infectados e 3,5 milhões serão hospitalizados, neste caso, informa o Imperial College.

Outro caso é o distanciamento social junto ao isolamento de idosos. Protegendo os mais velhos, o setor da população mais suscetível a complicações e mortes pelo Covid-19, o número de mortes cai para 530 mil, com 121 milhões de infectados e 3,2 milhões de pessoas hospitalizadas.

Já com testes massivos e o isolamento dos infectados e monitoramento dos que tiveram alguma relação, como faz a Coreia do Sul, reduz o número de mortes para 206 mil pessoas. São infectados 49,6 milhões de brasileiros, dos quais 1,2 milhões serão hospitalizados. Isso em um cenário tardio, isto é, como afirmam os especialistas, quando o número de mortes chega a 1,6 para cada 100 mil habitantes, em uma semana.

Se esta medida for feita quando a taxa de mortalidade é 0,2 para cada 100 mil habitantes - ou seja, precocemente -, o número de mortes cai para 44 mil brasileiros, com 11 milhões de infectados e 250 mil hospitalizados.



Fonte: Brasil 247  por  Folha de S. Paulo



















26 março 2020

CUBA REFUTA 'CAMPANHA' DOS EUA CONTRA SEUS MÉDICOS EM PLENA PANDEMIA

© Yamil LAGE Médicos e enfermeiros da Brigada Médica Internacional Henry Reeve de Cuba posam com retrato do falecido líder cubano Fidel Castro ao se despedirem antes de viajar à Itália para ajudar na luta contra a Covid-19, em Havana, 21 de março de 2020


26 de março de 2020




Cuba refutou nesta quinta-feira (26), mediante nota diplomática de protesto, o que chamou de uma "campanha de descrédito e mentiras" dos Estados Unidos contra seus serviços médicos internacionais, em um momento em que vários países pediram ajuda ao país para combater a Covid-19



"A campanha de descrédito do governo dos Estados Unidos é imoral em qualquer circunstância, é particularmente ofensiva para Cuba e o mundo em um momento de pandemia que ameaça a todos nós", manifestou-se a chancelaria.


"A campanha de descrédito do governo dos Estados Unidos é imoral em qualquer circunstância, é particularmente ofensiva para Cuba e o mundo em um momento de pandemia que ameaça a todos nós", manifestou-se a chancelaria.

De acordo com o documento, a diplomacia americana leva adiante "uma campanha continuada e exacerbada de descrédito e mentiras contra a cooperação médica internacional que Cuba oferece".

Por ocasião da pandemia atual e a pedido oficial destes países, Cuba enviou brigadas médicas a Venezuela, Nicarágua, Itália, Granada, Suriname, Jamaica e Belize.

Também anuncia para esta quinta-feira a saída de outras nações do Caribe: São Vicente e las Granadinas, Dominica, Antígua e Barbuda e Santa Luzia.

Para o governo americano, "Cuba oferece missões médicas internacionais pelo Covid-19 só para recuperar o dinheiro perdido por países que abandonaram" o "abusivo" programa de serviços médicos cubanos, segundo escreveu no Twitter a embaixada dos Estados Unidos em Havana.

"Os países anfitriões que buscarem a ajuda de Cuba devem examinar os acordos e pôr fim a abusos trabalhistas", acrescentou.

A ilha socialista, que conta com programa de serviços médicos desde a década de 1960, tem atualmente mais de 30.000 profissionais da saúde em 61 países, parte deles como cooperação gratuita e em outros, cobrando por seus serviços.

A venda de serviços médicos é, junto com o turismo, um dos motores da economia cubana, resultando em uma receita de mais de 6,3 bilhões de dólares em 2018.

Em 2019, após uma reconfiguração do mapa político na região, Cuba perdeu contratos com Brasil, Bolívia, Equador e El Salvador *(Desde então, os brasileiros ficaram sem atendimentos de 8 mil médicos).

Segundo denunciou o Departamento de Estado americano, "o governo de Cuba retém a maior parte do salário de médicos e enfermeiras em missões médicas internacionais, expondo-os a condições trabalhistas atrozes".

Cuba assegura que, em seus programas médicos, o profissional recebe uma ajuda de custo para cobrir suas despesas no país da missão enquanto continua recebendo seu salário em Cuba (US$ 50, em média).

O restante do dinheiro arrecadado, explica o governo cubano, é usado para garantir o acesso gratuito de sua população à saúde e à educação.


*Crivo nosso


Fonte: UOL  por AFP















RODRIGO MAIA, QUEM DIRIA, DIZ QUE SÓ UM ESTADO FORTE PODE SALVAR O BRASIL DO CORONAVÍRUS

(Foto: J. Batista/ Câmara dos Deputados)
26 de março de 2020





Um dos responsáveis pela adoção de políticas neoliberais, como o teto de gastos, após o golpe de estado de 2016 no Brasil, Rodrigo Maia agora assume um novo discurso


247 – "A sociedade precisa de previsibilidade, e isso só o Estado pode oferecer neste momento. Não se trata de superestimar os efeitos da pandemia. É preciso fazer o cidadão voltar a confiar no Estado", diz deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), um dos responsáveis pela política de teto de gastos, adotada no Brasil após o golpe de estado de 2016 contra a ex-presidente Dilma Rousseff, em artigo publicado nesta quinta-feira. Confira:


Por Rodrigo Maia – Urge ampliar os gastos extraordinários na área da saúde, pois é vital deter o avanço da contaminação pelo vírus Covid-19. Eventuais desperdícios dessas verbas disponibilizadas em caráter excepcional podem ser evitados lançando-se mão das ferramentas criadas a partir das sofistica das curvas formuladas em tempo real pelos economistas. Essas curvas são explicadas didaticamente pela imprensa; as explicações ganharam as redes sociais, onde são debatidas pela sociedade.

No entanto, maior que os desafios na compra de insumos, contratação de médicos e adaptação de hospitais, é a coordenação das ações num país de dimensões continentais e enormes desigualdades regionais como o Brasil. Ao menos nessa área, além do Estado, podemos contar com a competência da gestão dos sistemas privados de saúde .

O mesmo não ocorre com o mercado e a sociedade em geral, que ficam à mercê da desaceleração da atividade econômica , decorrente do fechamento do comércio, das escolas, e do confinamento social .

É normal que não haja suficiente certeza sobre os efeitos maléficos dessa crise, tampouco quanto às medidas que devem ser tomadas para mitigá-los. Há inúmeras propostas apresentadas pelas empresas, por associações, pela sociedade civil organizada , pelos intelectuais.

Existe, contudo,  muita assimetria de informação . Isso ocorre num momento em que as notícias circulam abundantemente e de forma muito rápida. Nesse contexto, só um Estado forte, unido e coordenado dará conta do caos e oferecerá soluções ao cidadão. A sociedade precisa de previsibilidade, e isso só o Estado pode oferecer neste momento. Não se trata de superestimar os efeitos da pandemia . É preciso fazer o cidadão voltar a confiar no Estado.

Para conquistar essa confiança é preciso comunicar com clareza o planejamento das ações que estão a ser pensadas. Provavelmente, haverá mudanças em algumas das ações previstas inicialmente. Os dados e o cenários e alteram a cada dia, e é até recomendável que os planos sejam revistos à medida que avança o conhecimento do inimigo – o vírus e suas curvas de propagação. Mas o norte tem de ser, sempre , claro e convergente . É essencial coordenar as ações entre a saúde e a economia , evitando que pessoas que não morram da doença terminem vitimadas pela fome. É um equilíbrio difícil.

A ocorrência de erros e de acertos nessa guerra contra o vírus era esperado. Tanto aqui, quanto lá fora. Olhando para trás, e para o sucesso e o fracasso da experiência dos países atingidos pela pandemia antes do Brasil , é fundamental ter humildade para aprender lições e reverter as ações que porventura tenham se mostrado precipitadas. Falar em fechamento de rodovias , apartando municípios e às vezes regiões inteiras do resto do país, ainda faz sentido? Isso foi posto sobre as mesas de debate. É correto? A resposta depende de uma construção coletiva e cooperativa dos vários entes da federação, coordenadas num mesmo sentido. À disposição deles, há uma infinidade de dados e informações, além de excelentes técnicos dispostos a ajudar.

O mesmo precisa ocorrer na área econômica, com relação ao socorro às empresas e à proteção do emprego. Muitos são os atores envolvidos. Sou do Parlamento, o Congresso é a minha área de atuação central.

E o Parlamento brasileiro tem contribuído para o'debate e para tornar ágeis as políticas de enfrentamento dessa pandemia. Jamais faltamos ao país, nós deputados e senadores, e nunca faltaremos, nos momentos cruciais em que sabemos estar ao lado da construção de soluções.

É imprescindível haver organização, rotinas e coordenação da porta para dentro.

Não se sabe qual será o final da história, mas é preciso construir o roteiro do filme com base nas análises existentes. Não basta um álbum de fotografias, em que cada uma delas é trocada todos os dias, deixando rasgos e buracos para trás.

Nunca foi tão urgente colocar em prática a coordenação entre os poderes da República. Começarmos concordando com um diagnóstico baseado em evidências empíricas e não em opiniões, além de um claro objetivo comum no curto, no médio e no longo prazo , é o melhor passo a dar a fim de avançarmos na proteção do Brasil e dos brasileiros.

(*) Deputado federal pelo DEM-RJ. Presidente da Câmara dos Deputados




Fonte: Brasil 247  por Rodrigo Maia