14 abril 2020

BRAGA NETTO CONHECE AS MILÍCIAS DO RIO E SABE O QUE OS BOLSONARO FIZERAM NO VERÃO PASSADO

(Foto: Isac Nóbrega - PR)

14 de abril de 2020

"Braga Netto provavelmente também sabe tudo a respeito de Ronnie Lessa, quem compartilhava vizinhança com Carlos e Jair Bolsonaro no condomínio Vivendas da Barra, e quem é suspeito de tráfico internacional de armas e está em prisão preventiva, acusado do assassinato de Marielle e Anderson", diz o colunista Jeferson Miola sobre o jogo de chantagens que cerca o governo


O repórter do jornal Zero Hora Humberto Trezzi fez uma reportagem semi-biográfica e elogiosa ao general Braga Netto, que é tratado no título da matéria como “o novo conciliador do Planalto [aqui].

Trezzi destaca o papel do general na administração da crise derivada da conspiração fracassada do Onyx Lorenzoni e do Osmar Terra para derrubar o ministro Luiz Mandetta.

O repórter afirma que Mandetta não procurou nem os conspiradores nem Bolsonaro para se queixar do ataque, mas recorreu a um dos integrantes da junta militar que comanda o governo, o general Braga Netto.

Para o repórter, o apaziguamento momentâneo foi “mais uma vitória de Braga Netto, o novo oráculo do Planalto. Mineiro, ouve muito e fala pouco”.

Braga Netto “abraçou com fervor a nova missão: colocar ‘ordem na casa’, nas palavras de Mourão”, discorre Trezzi.

Na reportagem, um nostálgico Trezzi faz uma série de floreios elogiosos ao método e à atuação do general que “escorrega bilhetinhos aos ministros durante reuniões, como o presidente Jânio Quadros fazia nos anos 1960” [sic].

Mais além dos elogios a um general que, paradoxalmente, chefia justamente a Casa Civil de um governo que deveria ser civil [sic], a informação mais valiosa da reportagem é aquela que diz que “Braga Netto ganhou dos amigos a reputação de ter o CPF, nome e endereço de cada miliciano no Rio”.

O repórter diz que durante a intervenção federal no Rio, que durou de fevereiro a dezembro de 2018, o Exército conseguiu usufruir dos bancos de dados das polícias Civil e Militar fluminenses e também montou um mapa das ações criminais no Rio. Isso vale tanto para facções criminais convencionais (Comando Vermelho, Amigos dos Amigos e Primeiro Comando) como para as milícias paramilitares formadas por ex-policiais. Não à toa, Braga Netto ganhou dos amigos a reputação de ter o CPF, nome e endereço de cada miliciano no Rio”.

Se Braga Netto conhece “o CPF, nome e endereço de cada miliciano no Rio, por certo ele sabe tudo a respeito do miliciano Adriano da Nóbrega, o chefe da milícia Escritório do Crime.

Adriano, deliberadamente executado no interior da Bahia, em vida havia recebido troféu de Flávio Bolsonaro na cadeia e, até dezembro de 2018, quando estourou os escândalos da “rachadinha”, o miliciano garantia o emprego da mãe e da esposa no gabinete do Flávio na ALERJ.

E o general Braga Netto, super-bem informado como é, deve saber, inclusive, onde está escondido o Fabrício Queiroz, o elo do clã com a milícia do Rio das Pedras chefiada pelo agora finado Adriano da Nóbrega.

Braga Netto provavelmente também sabe tudo a respeito de Ronnie Lessa, quem compartilhava vizinhança com Carlos e Jair Bolsonaro no condomínio Vivendas da Barra, e quem é suspeito de tráfico internacional de armas e está em prisão preventiva, acusado do assassinato de Marielle e Anderson.
É preciso saber de onde vem tamanha “ascendência” do Braga Netto e a junta militar sobre Bolsonaro.

Tal ascendência parece se originar menos da capacidade persuasiva dos “bilhetinhos” do general e seus parceiros do Alto-comando, e mais do fato de Braga Netto saber muito sobre o que os Bolsonaro fizeram no verão passado.
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Fonte: Brasil 247  por  Jeferson Miola Integrante do Instituto de Debates, Estudos e Alternativas de Porto Alegre (Idea), foi coordenador-executivo do 5º Fórum Social Mundial













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