12 maio 2020

DÓLAR TEM NOVA MÁXIMA HISTÓRICA E FECHA A R$ 5,86

 (Foto: Paulo Whitaker/Reuters | ABr)

12 de maio de 2020

Mercado acionou aversão a risco em meio ao aumento da instabilidade do cenário político

O Ibovespa fechou em queda nesta terça-feira (12) junto com as bolsas internacionais e também com o aumento na tensão política em meio a relatos de que o vídeo entregue pelo governo ao Supremo Tribunal Federal (STF) confirmaria a versão do ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, de que o presidente Jair Bolsonaro teria interferido na Polícia Federal para tentar paralisar investigações contra seus filhos.

O advogado de Moro disse em nota que o vídeo da reunião ministerial de 22 de abril confirma o relato de seu cliente contra o presidente da República.

Já o site O Antagonista afirmou que o vídeo é “devastador” para Bolsonaro. De acordo com o diretor da corretora Mirae Asset, Pablo Spyer, os investidores foram às vendas repercutindo o texto da notícia, segundo a qual o presidente da República teria associado a troca do superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro à necessidade de proteger a sua família.

Na mesma linha, notícia do site do Globo afirma que três fontes não identificadas confirmaram que Bolsonaro disse precisar “saber das coisas” que estavam ocorrendo na PF do Rio. Em outro momento, o presidente teria dito que as investigações não poderiam prejudicar sua família ou amigos.

Lá fora, os índices Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq, das bolsas dos Estados Unidos, caíram entre 1,9% e 2,06% depois de um grupo de senadores republicanos apresentar um projeto que inclui sanções a autoridades chinesas. Os mercados também estão pressionados entre o otimismo pela reabertura econômica de diversos países e as preocupações com uma segunda onda do coronavírus.

Com isso, o Ibovespa fechou em queda de 1,51% a 77.871 pontos após passar a maior parte do pregão em alta. O volume financeiro negociado foi de R$ 22,742 bilhões.

Enquanto isso, o dólar comercial subiu 0,71% a R$ 5,8644 na compra e a R$ 5,8657 na venda, renovando máxima nominal histórica de fechamento. O dólar futuro para junho tem alta de 1% a R$ 5,883.

Enquanto isso, o dólar comercial subiu 0,71% a R$ 5,8644 na compra e a R$ 5,8657 na venda, renovando máxima nominal histórica de fechamento. O dólar futuro para junho tem alta de 1% a R$ 5,883.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 subiu 36 pontos-base a 3,62%, o DI para janeiro de 2023 disparou 45 pontos-base a 4,88% e o DI para janeiro de 2025 saltou 41 pontos-base a 6,84%.

Os juros refletem a maneira como a ata do Copom prescreveu mais um corte da Selic e indicou que a retomada econômica no terceiro trimestre poderá ser errática, mas ao mesmo tempo sinalizou que os riscos fiscais podem impor um limite ao corte dos juros.

De acordo com a equipe de análise do Morgan Stanley, o Banco Central manteve a mesma mensagem do comunicado, reforçando o tom dovish (afeito a cortar juros).

“Os membros do comitê debateram sobre o ritmo de recuperação no segundo semestre de 2020 e o cenário-base deles é de uma retomada mais gradual do que se esperava anteriormente, começando apenas no terceiro trimestre. Além disso, eles assinalaram que o aumento na ociosidade deve ter um impacto desinflacionário, dada a contração da demanda agregada”, escreveram os economistas do banco.

Analistas destacam ainda que a demora de Bolsonaro para vetar o reajuste aos salários de servidores públicos também gera ruídos políticos, assim como a proposta de aumento da regulação do sistema financeiro, pela CSLL, no Senado. A ideia dos senadores é limitar juros do cheque especial e aumentar CSLL dos bancos de 20% para 50%.

Entre os indicadores, o volume de serviços no Brasil caiu 2,7% em março na comparação com o mesmo mês do ano passado por conta do coronavírus, mostrou a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A expectativa mediana dos economistas do mercado financeiro compilada no consenso Bloomberg apontava para uma queda de 2,1% no período. Em fevereiro, a retração havia sido de 0,7%.

Lá fora, a Saudi Aramco, maior petrolífera do mundo, divulgou na manhã de hoje seus resultados do primeiro trimestre e mostrou queda de 25% no lucro líquido, que ainda assim foi de US$ 16 bilhões no período. O barril do petróleo tipo Brent registrou ganhos de 0,91% a US$ 29,90 e o barril do WTI teve alta de 6,42% a US$ 25,69.

Também em destaque, a China anunciou que vai isentar mais produtos dos EUA de tarifas punitivas. Bens americanos que ficarão isentos da tarifação extra incluem produtos químicos e têxteis, segundo comunicado divulgado pelo Ministério de Finanças chinês.

Aprovação de Bolsonaro cai

Segundo levantamento da CNT/MDA, o percentual de eleitores que consideram o atual governo ótimo ou bom oscilou negativamente de 35% em janeiro para atuais 32%. Já os que avaliam a administração como ruim ou péssima saltou de 31% para 43% no período.

O levantamento também mostra que chegou ao menor patamar nominal o grupo eleitores que aprovam o desempenho pessoal de Bolsonaro: 39%, um recuo de 9 pontos percentuais em comparação com quatro meses atrás e 2 p.p. abaixo da mínima de agosto do ano passado.

A desaprovação da atuação do presidente saltou 8 p.p. nos mesmos quatro meses, para 55%. A marca é superior em 1 p.p. a atingida em agosto.



Fonte: Brasil 247   por Infomoney
















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