22 junho 2020

EM 1970, ATÉ O BANCO DE RESERVAS DO BRASIL ERA UMA SELEÇÃO DE CRAQUES

Em 1970, até o banco de reservas do Brasil era uma seleção de craques. Foto: Divulgação/Arquivo/Estadão

21 de junho de 2020



O único que não se cogitava perder o lugar no time era Pelé, dono incontestável da camisa 10


seleção de 1970tricampeã mundial no México, não era fortíssima apenas com seus 11 jogadores titulares. Os 11 que estavam na reserva eram do mesmo nível e em alguns casos, segundo especialistas da época, até melhores do que aqueles que estavam em ação.

Para o lugar do goleiro Félix, o técnico Zagallo tinha dois jovens de muito talento do futebol paulista. Ado, do Corinthians, e Leão, do Palmeiras, ambos com 20 anos de idade. Donos da posição em seus clubes e capazes de fazer um bom papel em campo, mas que não chegaram a pisar nos gramados mexicanos.

Na lateral-direita, Carlos Alberto Torres, "O Capita" era absoluto, mas na sua reserva estava pronto Zé Maria, que mais tarde seria eternizado como o "Super Zé" pela torcida corintiana. Depois da Copa, o raçudo defensor, de 21 anos, trocou a Portuguesa pelo time de Parque São Jorge.
Na outra lateral, para muitos, como o goleiro Leão, Marco Antônio, do Fluminense, então com 19 anos, tinha totais condições de atuar na vaga de Everaldo, mas o jogador do Grêmio, aos 25 anos, tinha a seu favor a experiência.
A zaga formada por Brito e Piazza combinava força e técnica, mas no banco Baldochi (Palmeiras), Fontana (Cruzeiro) e Joel eram bons e qualquer dupla poderia segurar da mesma forma ou até melhor os ataques adversários.
Do meio-campo para frente era difícil ter uma vaga na equipe principal. Clodoaldo, Gerson, Jairzinho, Tostão, Rivellino, além de craques, estavam em grande forma. Mas Paulo Cesar Caju, de 20 anos, o 12º jogador daquele seleção, então no Botafogo, com quatro participações na Copa, era opção tanto para o ataque como para o meio de campo. Roberto, de 25 anos, seu companheiro no time de General Severiano, era um goleador e de grande presença na área. Só não entrou contra a Inglaterra, porque Tostão iniciou de forma magistral a jogada do gol de Jairzinho.
Dario, o "Dadá Maravilha" ou "Peito de Aço, apelido que herdou do lendário Vavá, das Copas de 1958 e 1962, era um "fazedor" de gols. Aos 24 anos, o centroavante do Atlético-MG, não tinha técnica, mas sabia colocar a bola nas redes rivais. Seu estilo, adorado pelo presidente da República Emilio Garrastazu Médici, não se encaixava com a forma do time jogar, mas seria idolatrado por onde passou na carreira, composta por 926 gols.
A outra opção do ataque era o habilidoso ponta Edu, do Santos, com 20 anos. Dono de um domínio de bola inigualável, sua habilidade era tão grande que, mesmo canhoto, jogava com o mesmo talento pela ponta direita. Em 1966, disputou a Copa com apenas 16 anos. 
O único que não se cogitava perder o lugar no time era o camisa 10. Se antes da Copa, João Saldanha, que dirigiu a seleção nas Eliminatórias, chegou a dizer que Pelé estava cego, durante os seis jogos disputados, todas as críticas se perderam pelo ar. A Copa foi 'DELE'. Como tinha de ser.

Fonte: O Estado de S. Paulo  por  Wilson Baldini Jr





























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