30 julho 2020

CONTRATO MILIONÁRIO BENEFICIOU ADVOGADO DE ZUCOLOTTO E AMIGO DE MORO DURANTE A LAVA JATO, DIZ DEPUTADO

Sergio Moro (Evaristo Sa/AFP)

30 de julho de 2020



A informação foi dada com exclusividade pelo DCM no dia 17 de junho.

Publicado originalmente no site Brasil de Fato

 

O contrato milionário do advogado René Ariel Dotti para defender a Petrobras na operação Lava Jato , foi alvo de uma representação no Ministério Público do Tribunal de Contas da União (TCU)  por conflito de interesses devido a sua proximidade com o ex-juiz Sergio Moro.

 


Autor da representação, protocolada no último dia 15, o deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) solicita a rescisão do contrato entre a estatal Petrobras e o advogado René Ariel Dotti, no valor de R$ 3 milhões.

“Nós estamos vendo um conflito de interesses, uma eventual prevaricação e nós pedimos para o TCU investigar”, afirma Teixeira.

Prevaricação é o ato de “retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa em lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal”, segundo o artigo 319, do Código Penal.

No documento, o parlamentar afirma que “esse trilhar do advogado René Ariel Dotti pode indicar grave conflito de interesse, na medida em que, de um lado, atuou supostamente na defesa dos interesses da Petrobras e, de outro, advoga agora, contra o interesse público, na mesma seara da operação Lava Jato, para evitar colaboração premiada que pode influenciar no destino das decisões judiciais de Sergio Moro.”

Contratado como assistente de acusação do Ministério Público Federal (MPF) para defender a estatal no âmbito da Operação Lava Jato, na 13ª Vara Federal de Curitiba, Dotti também teria atuado, segundo Teixeira, como defensor de Carlos Zucolotto.

Este foi acusado pelo ex-advogado da Odebrecht, Rodrigo Tacla Duran, por tentativa de extorsão e de intermediar negociações paralelas à Operação Lava Jato, envolvendo pagamentos de propinas entre delatores e investigadores de operação.

Zucolotto também é amigo íntimo de Sergio Moro, que foi juiz na 13ª Vara Federal de Curitiba, sócio de Rosângela Moro na empresa HZM2 Cursos e Palestras, e padrinho de casamento de ambos.

Dotti, entretanto, nunca informou à Petrobras que atuou nas causas de Carlos Zucolotto bem como sobre sua amizade com o ex-ministro de Justiça e Segurança Pública.

Para Paulo Teixeira, Dotti teve atuação dos dois lados do balcão, violando o Código Penal.“O que nós estamos dizendo é o seguinte: Dotti está dos dois lados. Ele está na defesa do patrimônio público, mas está também advogando para acusados na Operação Lava Jato”, afirma Teixeira.

Além do valor fixo de R$ 3 milhões, o contrato com Dotti prevê o valor adicional de  R$ 80 mil por ação penal, quando o advogado atua a favor da Petrobras como parte interessada, e R$ 100 mil como assistente do Ministério Público, a cada ação penal. As ações penais, ligadas às decisões de Sergio Moro, tinham reflexo direto no faturamento de Dotti.

“Eu espero que o TCU indique que se há qualquer conflito de interesse que mande a Petrobras fechar o contrato com esse advogado. E se houver precarização que indique para o Ministério Público para apurar e processar algum crime de prevaricação”, explica o parlamentar.

Além da revogação do contrato, Teixeira também pede a instauração de uma investigação sobre os supostos atos de improbidade administrativa e o colhimento de depoimentos de Zucolotto, Moro, Dotti e seus sócios, além do registro de todos os pagamentos e faturas feitos pela estatal para o escritório de advocacia de Dotti e a relação de todos os clientes do advogado.

 

Fonte: Diário do Centro do Mundo (D. C. M.)  por  Caroline Oliveira






















27 julho 2020

DEPUTADA REJANE DIAS, DO PIAUÍ, TENTOU SER OUVIDA, MAS PF IGNOROU E PREFERIU OPERAÇÃO, MOSTRAM EMAILS

(Foto: Agência Câmara | Divulgação/ Polícia Federal)

27 de julho de 2020



Série de emails trocados entre advogados da parlamentar e a delegada Milena Caland mostram que Rejane Dias (PT) tentou prestar esclarecimentos durante cinco meses, mas a PF preferiu operação espetacularizada no Piauí

 

 

247 - A deputada federal Rejane Dias (PT), alvo de operação da Polícia Federal na manhã desta segunda-feira, 27, tentou ser ouvida pela PF há mais de cinco meses mas não teve êxito. É o que mostra uma série de emails trocados entre advogados da parlamentar e a delegada da Polícia Federal Milena Caland. 

 

A PF cumpriu mandados no gabinete de Rejane em Brasília e na casa dela em Teresina, numa ação contra supostos superfaturamentos em contratos da Secretaria de Educação, quando a parlamentar foi secretária estadual de educação do Piauí, durante três períodos entre os anos de 2015, 2016 e 2017. 

 

Nas mensagens eletrônicas, os advogados mostram que a deputada se coloca à inteira disposição para prestar esclarecimentos, informando inclusive várias datas que poderiam ser utilizadas para uma sessão.

 

As tentativas duraram vários meses, sendo a mais recente já no dia 22 de julho. Nos e-mails, fica claro que os advogados também fizeram contatos por telefone, mas sem êxito. No dia 19 de fevereiro, um advogado faz referência ao contato telefônico e sugere o dia 12 de março para uma audiência em Brasília. A delegada da PF, Milena Caland, responde no dia seguinte confirmando ciência do pedido e prometendo confirmar a data ou propor uma nova. 

 

Além de Rejane Dias e do irmão dela, Rogério Ribeiro, foram alvos da operação servidores da cúpula da Secretaria de Educação do Piauí e pessoas que agiam como intermediários entre esses servidores e empresários do setor de transporte escolar. Segundo a PF, o governador Wellington Dias não é um dos investigados.

 

Confira, abaixo, a troca de emails.





Fonte: Brasil 247